Enrique Mackenzie diz que precisou de mais de 20 anos de terapia para lidar com a culpa associada à formação que recebeu no Opus Dei. Hoje, o coach trabalha com pessoas LGBTQIAPN+ que enfrentam traumas semelhantes aos dele.
Natural de El Salvador, Mackenzie estudou em uma escola ligada à instituição desde os dois anos. Aos 12, passou a frequentar um dos centros do grupo, onde participava de aulas de religião e atividades esportivas, como futebol.
Aos 14 anos, depois de descobrir que era gay, ele recebeu tratamento de conversão e remédios psiquiátricos para o que o Opus Dei considerava uma doença. Aos 17, foi expulso da organização.
Processo de aceitação
Mackenzie afirma que levou pelo menos sete anos para se assumir, com apoio terapêutico. Uma bolsa de estudos em Taiwan fez com que ele conhecesse pessoas de vários países e tivesse contato com informações científicas sobre a homossexualidade.
Um intercâmbio na Bélgica também contribuiu para que ele entendesse que poderia viver sua orientação sexual. Ele diz ter conseguido se aceitar aos 25 anos.
“Entendi que ser gay não era um problema, que era uma coisa normal, e que eu merecia também ter um relacionamento com outros homens”, afirmou Mackenzie.
Perdão e responsabilização
O coach afirma que as experiências no Opus Dei influenciaram quem ele é atualmente, mas também deixaram marcas. Para ele, perdoar foi uma forma de deixar de carregar a dor, sem apagar o que aconteceu.
“É importante que eles se responsabilizem desse abuso espiritual, psicológico e sistêmico que acontece em vários países do mundo”, disse.
Mackenzie também avaliou que a instituição reúne pessoas bem-intencionadas, mas que elas podem não perceber os danos causados por suas ações.
A série documental “O Bom Espírito: Por Detrás das Portas do Opus Dei” chegou à HBO Max no último dia 25. A produção reúne histórias reais de pessoas que passaram pela instituição da Igreja Católica Opus Dei.








