MAR DO CARIBE — As Forças Armadas dos Estados Unidos atacaram no domingo, 4, uma embarcação que o governo americano acusa de estar ligada ao tráfico de drogas. Quatro pessoas morreram, informou o Comando Sul dos EUA, conhecido como Southcom.
O comando afirmou que a lancha rápida navegava por uma rota usada pelo narcotráfico e que dados de inteligência apontavam participação ativa no comércio de entorpecentes. As autoridades americanas, porém, não divulgaram evidências de que havia drogas a bordo.
Um vídeo publicado pelo Southcom nas redes sociais mostra uma explosão que destrói uma embarcação em movimento. Os quatro mortos foram classificados pelos militares como “narcoterroristas”.
A operação faz parte da campanha militar do governo de Donald Trump contra grupos que Washington considera organizações de narcoterrorismo. Desde setembro de 2025, os Estados Unidos realizaram pelo menos 70 ações desse tipo no Caribe e no Pacífico Oriental, com ao menos 235 mortos, conforme balanço militar. Em outra atualização, o Southcom informou 71 operações e 239 mortos.
A ofensiva ocorre durante uma tentativa da Casa Branca de ampliar a cooperação militar com países latino-americanos. Em agosto, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse, durante visita ao Panamá, que Colômbia, Guatemala e Honduras aceitariam operações conjuntas americanas contra grupos criminosos em seus territórios. A Guatemala depois negou ter firmado esse acordo. O Equador começou ações semelhantes com os Estados Unidos em março.
No sábado, Hegseth afirmou que parte dos recursos militares usados na Europa poderia ser transferida para o Hemisfério Ocidental, em meio ao avanço da campanha contra cartéis latino-americanos.
Trump diz que os Estados Unidos enfrentam os cartéis em uma guerra e que as operações buscam barrar a entrada de drogas no país e diminuir as mortes por overdose. O governo, entretanto, apresentou poucas provas públicas para demonstrar que os mortos eram traficantes.
Especialistas em direito internacional e em conflitos armados, organizações de direitos humanos e parlamentares democratas criticam as incursões. Eles questionam a legalidade das ações e dizem que algumas podem ser execuções sumárias.








