SÃO PAULO — O projeto que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e acaba com a escala 6x1 pode se tornar um dos principais temas da disputa presidencial até 25 de outubro. A avaliação é do historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro, professor da Universidade Sorbonne, em Paris.
A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio, por 472 votos a 22 no primeiro turno, mas não avançou no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que a votação ocorreria nesta terça-feira (6/10). Para Alencastro, porém, os senadores podem rejeitar o projeto ou retirá-lo da pauta depois do resultado do primeiro turno.
Uma pesquisa da Quaest realizada em maio apontou apoio de 71% dos brasileiros à medida. Na avaliação do historiador, uma eventual derrota no Senado permitiria a Luiz Inácio Lula da Silva atribuir a responsabilidade à direita e usar a defesa do fim da escala 6x1 para recuperar força política. “Pode revigorar a campanha dele”, afirmou.
O primeiro turno terminou com Flávio Bolsonaro à frente, com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula. Alencastro disse que o senador ainda teria uma reserva de votos entre os candidatos derrotados, estimada em cerca de 7%, além de vantagem em estados considerados decisivos.
Flávio obteve 51,93% dos votos em São Paulo. Em Minas Gerais, venceu por uma diferença de 588 mil votos, com 48,24% contra 43,33%. No Rio de Janeiro, alcançou 53,01%. Para o historiador, esses resultados dificultam a reação de Lula no segundo turno.
Avaliação sobre Lula e a esquerda
Alencastro afirmou que uma derrota não encerraria a carreira política de Lula. Segundo ele, o presidente poderia começar, depois de um mês, a trabalhar na escolha de um sucessor dentro do PT e da política brasileira, embora devesse se recolher inicialmente.
O historiador também avaliou que o resultado aprofunda os questionamentos sobre o PT e a esquerda. Para ele, a pauta da escala 6x1 ter ganhado projeção a partir de Rick Azevedo, eleito vereador pelo PSOL no Rio de Janeiro em 2024, e do TikTok mostra um distanciamento em relação ao movimento sindical ligado ao partido.
A deputada federal Erika Hilton encaminhou o projeto na Câmara. Na leitura de Alencastro, o episódio deveria provocar uma reflexão no movimento sindical sobre as mudanças na classe trabalhadora e sobre o futuro da esquerda estruturada no Brasil.
Ele também afirmou que a direita radical deverá sair fortalecida no Congresso e que o Senado ficará dominado por esse campo político. Na entrevista, relacionou o avanço ao desempenho de Flávio e à votação de candidatos jovens ligados ao bolsonarismo, como Lucas Pavanato, em São Paulo, e Nikolas Ferreira, em Minas Gerais.









