O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou a rapidez da apuração dos votos no Brasil após o primeiro turno das eleições. Em uma publicação nas redes sociais na segunda-feira, 5, ele comparou o resultado brasileiro à demora na contagem americana e afirmou que o sistema eleitoral dos Estados Unidos é corrupto.
Na votação brasileira, o senador Flávio Bolsonaro (PL) superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por 1,87 pontos percentuais. A diferença levou a disputa para a segunda volta.
Trump escreveu que 125 milhões de pessoas votaram no primeiro turno da eleição presidencial brasileira e que os resultados foram divulgados no mesmo dia do encerramento da votação. Em seguida, afirmou que, em cidades e estados americanos, resultados de eleições com números menores podem levar semanas para serem calculados — ou fraudados, segundo a formulação usada por ele.
A publicação foi editada. Inicialmente, Trump havia mencionado por engano eleições na Índia, que não teve votação no domingo.
Diferenças entre os sistemas
A contagem nos Estados Unidos pode levar dias ou semanas porque o sistema é descentralizado e não tem a atuação de um órgão federal equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Estados e condados adotam regras próprias, enquanto parte dos votos é feita em cédulas de papel ou pelo correio. Nesses casos, os mesários precisam abrir envelopes, conferir assinaturas e autenticar dados antes de inserir os votos no sistema.
Trump questiona a mecanização da votação americana e afirma que urnas eletrônicas são vulneráveis à invasão e à manipulação estrangeira. Sem apresentar provas, ele usou essas alegações para sustentar que a eleição de 2020 foi fraudada e que sua derrota para Joe Biden seria falsa.
No Brasil, Jair Bolsonaro (PL) adotou discurso semelhante durante a campanha presidencial de 2022, antes de perder para Lula e ser condenado e preso por tentativa de golpe de Estado. Em julho, Flávio Bolsonaro repetiu a estratégia em uma reunião com diplomatas. Após avançar no primeiro turno, porém, não voltou a questionar o sistema eleitoral brasileiro.








