Ian Bremmer avalia que Lula tem uma vantagem mínima na eleição brasileira, marcada por forte polarização e insatisfação dos eleitores. Para o analista, o governo de Donald Trump não deve interferir diretamente no pleito porque uma ação oficial dos Estados Unidos poderia acabar favorecendo o atual presidente.
Bremmer, fundador e presidente do Eurasia Group e do GZERO Media, afirma que a influência americana deve aparecer principalmente nas redes sociais. Ele prevê a atuação de contas de direita, algumas sediadas nos Estados Unidos, para promover Flávio Bolsonaro, atacar Lula e espalhar desinformação.
Relação com os Estados Unidos
Na avaliação do analista, Trump é favorável a Flávio, mas recuou de ameaças relacionadas ao dólar, ao comércio e a sanções contra autoridades brasileiras. A razão seria o temor de que a interferência fosse usada por Lula como argumento eleitoral.
Caso Flávio Bolsonaro vença, Bremmer prevê uma aproximação imediata com Washington na área de segurança. O Brasil poderia aderir ao Escudo das Américas, classificar facções criminosas como organizações terroristas e reduzir barreiras à cooperação de inteligência e às operações militares conjuntas.
Mesmo com um governo alinhado aos Estados Unidos, a China continuaria como principal parceiro comercial do Brasil. Bremmer relaciona essa posição ao comércio brasileiro com os chineses, à participação no Brics e ao papel do país no Sul Global.
Supremo e instituições
Bremmer afirma que o Supremo Tribunal Federal se tornou o centro dos escândalos de corrupção no Brasil. Ele cita suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e a mulher do ministro, que teria recebido cerca de RS$ 130 milhões em honorários advocatícios.
O analista também diz que Flávio Bolsonaro trocava mensagens com Vorcaro e pedia recursos para um filme biográfico sobre o pai. Na avaliação dele, a possibilidade de Flávio nomear ministros poderia politizar a corte em outra direção.
Apesar das críticas, Bremmer considera que o Judiciário, os militares e a população demonstraram capacidade de reagir a uma tentativa de golpe. Para ele, a democracia brasileira e a transferência pacífica de poder ainda funcionam como barreiras contra uma ruptura institucional.
América Latina e Ucrânia
Sobre a região, Bremmer afirma que a remoção de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos é popular entre a maioria das populações latino-americanas, principalmente por preocupações com segurança e pela presença de venezuelanos em outros países.
Em relação a Cuba, ele prevê algum tipo de acordo econômico diante da pressão das sanções americanas e não uma invasão. O analista também cita a influência do modelo de segurança de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, sobre governos de Honduras, Chile e Peru.
Bremmer diz ainda que a guerra na Ucrânia está se intensificando. Segundo ele, os ucranianos ampliaram a capacidade de atacar o território russo, enquanto a Rússia fortalece sua economia de guerra. O próximo inverno, afirma, deve ser difícil para os ucranianos.









