Jon Lee Anderson, jornalista da revista The New Yorker, afirma que não descarta uma interferência de Donald Trump na eleição brasileira. Para ele, o Brasil ocupa uma posição importante nos planos do governo americano para ampliar sua hegemonia no Hemisfério Ocidental.
“Eu nunca descartaria que ele interferisse”, disse Anderson. O jornalista citou a disputa dos Estados Unidos com a China e interesses de segurança nacional como razões para a atenção americana ao Brasil. Na avaliação dele, um governo brasileiro aliado a Washington poderia reduzir a influência chinesa e permitir operações de forças paramilitares americanas na Amazônia contra narcotraficantes.
Anderson também afirmou que a dinâmica política continua favorável a Jair Bolsonaro, apesar da ambiguidade pública de Trump em relação ao ex-presidente e a Lula. Ele mencionou a proximidade de Eduardo Bolsonaro com um dos filhos de Trump e a disputa nos tribunais americanos envolvendo decisões de Alexandre de Moraes contra a interferência da rede social X no Brasil.
Alexandre de Moraes
O jornalista disse que ainda não tem uma conclusão sobre as acusações envolvendo Moraes e uma suposta relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Anderson, o ministro está “do lado certo da história” nas circunstâncias atuais, mas é conservador e tem histórico de atuação linha-dura na segurança pública.
Anderson comparou a situação à trajetória de Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York que, segundo ele, passou de uma figura admirada a um aliado de Trump. O jornalista ponderou que não estava afirmando que Moraes fosse equivalente a Giuliani.
Para Anderson, as democracias enfrentam um período de enfraquecimento, liderado por Trump. Ele citou como exemplo a Suprema Corte dos Estados Unidos e disse que a nomeação de juízes pelo presidente americano produziu efeitos de politização da instituição.
Cenário eleitoral
O jornalista descreveu o Brasil como estando no limbo e comparou a ascensão de Bolsonaro ao trumpismo. Ele afirmou que as instituições brasileiras prevaleceram ao condenar o ex-presidente por tentativa de golpe, mas avaliou que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro pode repetir a polarização anterior.
Anderson disse que as pesquisas sugerem que Flávio Bolsonaro passou Lula, embora possam ter margem de erro. Na avaliação dele, Lula provavelmente venceria o primeiro turno, em 4 de outubro, mas candidatos de centro-direita poderiam apoiar Flávio no segundo turno.
O jornalista também mencionou acusações envolvendo aliados de Lula e Moraes, além do uso de redes sociais em campanhas eleitorais. Para ele, uma eventual vitória de Bolsonaro poderia aproximar o Brasil dos Estados Unidos durante o mandato de Trump.









