A Índia sedia, a partir deste sábado, 12, a décima oitava cúpula do Brics. O encontro reúne líderes e representantes de 11 nações e termina no domingo, 13. Entre os participantes estão Índia, China, Rússia, Brasil, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Irã e Arábia Saudita, que participa como convidada.
O dólar deve estar entre os principais temas da reunião. O bloco defende maior autonomia diplomática e econômica para as economias emergentes e busca ampliar alternativas para comércio, investimentos e financiamento.
Moedas locais e sanções
A chamada desdolarização, porém, não ocorre de forma uniforme. Os países têm motivações diferentes para reduzir a dependência da moeda americana, como proteção contra sanções, diminuição de custos de transação e interesses nacionais.
A Rússia já realiza cerca de 95% do comércio com a Índia e 99% das transações com a China em moedas nacionais, principalmente rublos e yuans. A mudança está ligada às sanções ocidentais e à exclusão do país do sistema SWIFT. O Irã também procura alternativas ao dólar por causa das sanções.
Esses casos representam substituições concretas da moeda americana, mas não indicam necessariamente uma estratégia coordenada de todo o Brics. A maior parte do comércio entre os integrantes ainda é feita em dólar, e vários países mantêm reservas significativas na moeda.
Distância entre propostas e execução
O grupo já discutiu a criação de uma possível moeda Brics e de novos sistemas de pagamentos. As propostas avançaram em declarações de princípio, mas enfrentam dificuldades para sair do papel e foram adiadas sucessivamente. A distância entre o anúncio de uma alternativa e sua implementação limita o alcance do projeto coletivo.
A China e a Arábia Saudita tentam ampliar o uso do yuan e de outras moedas em transações bilaterais, mas o dólar ainda não tem um concorrente relevante no sistema internacional. Investimentos chineses e projetos ligados à Iniciativa do Cinturão e Rota também ampliaram opções de financiamento para economias emergentes.
Criado em 2006, o Brics ganhou força após a crise financeira de 2008 e o fracasso da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio. O grupo reúne países que buscam mais influência global, mas preservam liberdade para agir individualmente.
A expansão do bloco em 2024 aumentou sua presença em setores estratégicos, especialmente com a entrada de grandes produtores de petróleo. Ao mesmo tempo, ampliou as divisões internas. Em maio, os ministros das Relações Exteriores não chegaram a um consenso sobre a guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irã.
Sem moeda única, tarifa comum ou compromisso militar, o Brics funciona como uma plataforma de autonomia, comércio, financiamento e articulação. O objetivo central é ampliar o espaço de manobra de seus integrantes, e não necessariamente substituir a ordem internacional liderada pelo Ocidente.








