FAIXA DE GAZA — Pelo menos 8 mil corpos permanecem soterrados sob escombros na Faixa de Gaza, enquanto equipes locais pedem ajuda internacional para recuperar as vítimas e prestar assistência aos sobreviventes. A retirada dos mortos, no ritmo atual, pode levar mais de uma década.
Mahmoud Bassal, porta-voz da Defesa Civil, afirmou que os corpos estão sob os destroços de mais de 300 edifícios. As equipes de defesa civil trabalham em cooperação com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha nas buscas.
“É exaustivo. Isso é desgastante do ponto de vista econômico, físico e psicológico”, disse Bassal, ao descrever as condições enfrentadas pelos socorristas.
Dificuldades nas buscas
Ajith Sunghay, chefe do Escritório de Direitos Humanos da ONU no Território Palestino Ocupado, afirmou na terça-feira que cerca de metade dos corpos retirados dos escombros na Cidade de Gaza neste mês eram de mulheres e crianças.
Segundo Sunghay, Israel tem dificultado os trabalhos de escavação e perícia. Isso também complica a identificação das vítimas e aumenta o risco de perda de evidências.
Aref Abdul Fattah, agente de segurança local, citou a falta de recursos, o bloqueio israelense e a dificuldade das instituições oficiais em responder aos acidentes e desastres como obstáculos às buscas.
O enterro dos mortos é considerado uma obrigação comunitária sagrada no Islã. Por isso, moradores têm feito esforços para recuperar os corpos e sepultá-los com dignidade. Eles também pedem o fim da guerra e da destruição, a retirada do Exército israelense da Faixa de Gaza e a abertura das passagens de fronteira.
Tareq Ghanem, representante de um campo de refugiados, afirmou que a entrada de ajuda e materiais de construção permitiria reconstruir as casas e retornar à terra natal. Bassal disse que o apoio internacional é fundamental para preservar evidências e confirmar identidades.








