O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, mudou o tom nas relações com Donald Trump depois de meses tentando preservar uma convivência cordial com o presidente dos Estados Unidos. A mudança ocorre enquanto os dois países ampliam medidas comerciais contra produtos um do outro.
Desde que assumiu o governo, em 2025, Carney evitava confrontos diretos, apesar das provocações de Trump. O presidente americano chamou o premiê de “governador”, em referência às ameaças de transformar o Canadá no 51º estado americano, e também o classificou como “desagradável” e “ingrato”.
Nas últimas semanas, Carney passou a usar a ironia com mais frequência. Em um discurso a integrantes do Partido Liberal, em Ottawa, imitou os gestos de Trump ao comentar um projeto de energia limpa.
Troca de provocações
O premiê também reagiu a uma declaração do secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, que zombou de participantes de um programa juvenil canadense de cadetes. Em conversa com jornalistas, Carney pediu uma mudança de postura a Washington: “Parem com os memes, parem de provocar, parem de tentar parecer durões”.
A resposta veio depois de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, propor que Ottawa se torne um “membro associado” da União Europeia. Carney afirmou que não defendia a criação de um “3º bloco” para rivalizar com uma superpotência.
Trump havia ameaçado impor novas tarifas à União Europeia caso considerasse hostil a proposta de aproximação com o Canadá. O presidente americano também disse que poderia interromper o comércio com a Europa em muitos produtos e chamou a iniciativa de “risível”.
Medidas comerciais
A partir de 29 de setembro, os Estados Unidos vão proibir a importação de laticínios, motocicletas e da maior parte das bebidas alcoólicas canadenses. A decisão foi anunciada no início do mês, um dia depois de o Canadá impor tarifas de 27 bilhões de dólares canadenses (US$ 20 bilhões) sobre produtos americanos.
O governo Trump justificou as restrições como uma resposta às tarifas canadenses e uma forma de proteger a produção doméstica. As medidas terão como base a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930.
No ano passado, o comércio entre Estados Unidos e Canadá movimentou quase US$ 900 bilhões. As novas restrições foram anunciadas após o fracasso, no mês passado, das negociações para um acordo comercial entre os dois governos.








