A influência da China passou a ser vista de forma mais positiva que a dos Estados Unidos na América Latina, segundo a pesquisa Latinobarómetro 2026. É a primeira vez que isso ocorre desde o início da série histórica, iniciada em 1995.
Desde 2020, a parcela de latino-americanos que avalia positivamente a influência chinesa subiu de 48% para 65%. No mesmo período, a percepção positiva sobre a influência dos Estados Unidos caiu de 60% para 57%.
Apesar do avanço da China, os Estados Unidos ainda são o país com a melhor imagem na região: 63% dos entrevistados têm opinião favorável sobre os americanos, contra 59% em relação à China.
Preços e mudança de alianças
A diretora do Latinobarómetro, Marta Lagos, afirmou que a China ganhou espaço ao facilitar o acesso a produtos que antes estavam fora do alcance de parte da população, com preços inferiores aos de outras importações. “O vazio que a China preenche é o dos bolsos, mais do que qualquer outra coisa”, disse.
O instituto também relaciona a mudança à menor presença de Washington no hemisfério ocidental desde a guerra do Iraque, em 2003. Nesse período, a América Latina se aproximou de outras potências, como China, União Europeia e Japão.
A pesquisa afirma que os Estados Unidos voltaram a demonstrar interesse pela região com o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. O presidente promove uma política mais intervencionista e chama sua proposta de “Doutrina Donroe”, em referência a James Monroe.
Trump também criou o Escudo das Américas, aliança de quase vinte países governados por líderes de direita para combater o crime organizado no continente.
Para 55% dos latino-americanos, as políticas implementadas pelo presidente dos Estados Unidos terão impacto negativo no mundo. Segundo Lagos, a imagem negativa de Trump contribuiu para a piora da avaliação americana na região.
Pesquisa
O Latinobarómetro é uma organização sem fins lucrativos sediada no Chile. O levantamento ouviu mais de 19 mil pessoas em 17 países entre 7 de maio e 17 de junho. A margem de erro é de 1%.








