NASHVILLE — Christa Pike está em estado crítico e recebe atendimento médico de emergência em um hospital de Nashville após sobreviver a uma tentativa de execução no Tennessee. A aplicação da pena capital ocorreu na quarta-feira, 30, mas foi interrompida depois que as autoridades constataram que o coração da condenada ainda batia.
Os advogados Randall Spivey e Stephen Farrell disseram que não têm informações claras sobre o prognóstico. Spivey afirmou que contou pelo menos sete agulhas no braço esquerdo de Pike e que uma delas parecia estar torta quando foi retirada.
Pike recebeu duas doses de pentobarbital na Penitenciária de Segurança Máxima Riverbend. O medicamento é um barbitúrico usado em protocolos de execução e tem como objetivo induzir inconsciência, paralisia e parada cardíaca.
O Departamento de Correções do Tennessee informou que o procedimento seguiu todas as etapas do protocolo aprovado pela Procuradoria-Geral, mas não explicou por que a execução falhou. O advogado Clive Stafford Smith apontou como possibilidades o uso de medicamentos vencidos e uma eventual resistência de Pike a drogas, relacionada ao histórico de abuso de substâncias. Ele também afirmou que pessoas sem a devida qualificação podem ter administrado os medicamentos, já que médicos não têm permissão para participar desse processo nos Estados Unidos.
Após o caso, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu nesta quinta-feira, 1º de outubro, todas as execuções restantes previstas para 2026 no estado. Ele também determinou uma revisão abrangente, conduzida por investigadores independentes.
Condenação e histórico do caso
Pike foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. Segundo a investigação, ela atraiu a colega para uma área florestal em Knoxville, no Tennessee, com a ajuda do namorado, Tadaryl Shipp, e de outra amiga. Slemmer foi torturada e espancada por cerca de 45 minutos antes de morrer.
A defesa afirma que Pike sofreu abuso sexual e estupros na infância e na adolescência, abandono familiar, lesão cerebral e problemas de saúde mental não tratados. Um tribunal federal de apelações havia adiado a execução para analisar alegações relacionadas a esses abusos, mas a Suprema Corte dos Estados Unidos revogou a suspensão mais tarde, permitindo o prosseguimento da pena.
Desde 1976, apenas 18 mulheres foram executadas nos Estados Unidos, em comparação a mais de 1. 600 homens. Dados do Death Penalty Information Center indicam que, entre 1890 e 2010, houve problemas em 3,15% das 8. 776 aplicações da pena capital. A injeção letal registrou a maior taxa de erro no período: 7,2%, ou 276 casos.






