GAZA — Um edifício residencial de sete andares desabou durante a madrugada desta quarta-feira (16), após ser atingido por bombardeios na Faixa de Gaza. Ao menos 20 pessoas morreram, entre elas crianças, e outras 14 ficaram feridas. As autoridades estimam que cerca de 100 moradores estejam presos sob os destroços.
A Defesa Civil palestina mobilizou equipes para procurar sobreviventes. Pelo menos 10 famílias viviam no prédio, e os socorristas ainda trabalham com a possibilidade de encontrar pessoas com vida. Raed Al-Dahshan, diretor do serviço de Defesa Civil da Cidade de Gaza, afirmou que vozes continuam sendo ouvidas sob os escombros.
“Continuamos ouvindo vozes debaixo dos escombros, então ainda há esperança de encontrar pessoas”, disse Dahshan.
O porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Basal, foi filmado carregando uma menina enrolada em um lenço manchado de sangue. Imagens também mostram socorristas tentando retirar duas pessoas debaixo de uma parede que caiu.
Alessandro Mrakic, chefe do escritório do PNUD em Gaza, disse que equipes de algumas agências da ONU participam do resgate. A falta de máquinas e equipamentos pesados dificulta a operação. Segundo Mrakic, aproximadamente 400 prédios correm risco de desabar, especialmente com a aproximação do inverno.
Risco de novos desabamentos
Autoridades palestinas e a ONU atribuem a escassez de equipamentos às restrições de Israel à entrada de materiais em Gaza. Israel afirma que as limitações buscam evitar que os equipamentos sejam usados por grupos militantes.
Dahshan pediu que a população não se aproxime de construções danificadas. Cerca de 2 mil edifícios nessa condição ainda são ocupados por famílias palestinas. A ofensiva iniciada depois do ataque do Hamas contra Israel, em outubro de 2023, deixou aproximadamente 61 milhões de toneladas de destroços e entulho em Gaza, segundo a ONU. A organização calcula que a retirada desse material leve sete anos.
Um cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos e firmado em outubro de 2025 interrompeu os combates em larga escala, mas os ataques israelenses continuaram e as negociações para uma paz permanente avançaram pouco.
O Hamas acusa Israel de descumprir o acordo e de atrapalhar o plano do presidente dos EUA, Donald Trump, que prevê a retirada israelense da Faixa de Gaza e o desarmamento do grupo. Israel, por sua vez, afirma que o Hamas viola o cessar-fogo.
Desde o início da trégua, mais de 1.300 palestinos, a maioria civis, morreram em Gaza, segundo autoridades de saúde do território. O Exército israelense informa que quatro soldados israelenses morreram no mesmo período. O Hamas não costuma divulgar dados sobre mortes entre seus combatentes.









