Uma especialista da Organização das Nações Unidas alertou nesta segunda-feira (7) que a retirada de entulhos em Gaza por Israel pode destruir provas de possíveis crimes e dificultar a recuperação de restos mortais.
Francesca Albanese, especialista da ONU para os territórios palestinos, afirmou que evidências devem ser coletadas e os mortos identificados antes do início da remoção completa. Ela também defendeu que os palestinos liderem os planos para retirar os resíduos.
Os ataques israelenses contra Gaza, iniciados após a incursão do Hamas em outubro de 2023, produziram cerca de 61 milhões de toneladas de destroços e entulho. De acordo com as Nações Unidas, a retirada desse material pode levar cerca de sete anos.
Restos mortais e evidências
Em uma declaração, Albanese disse que os entulhos também representam uma cena de crime, um cemitério e um registro material dos acontecimentos durante a campanha de bombardeios. Ela afirmou que fontes confirmaram a participação de empresas israelenses na remoção, mas não identificou quais seriam essas empresas.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel, o gabinete do primeiro-ministro e as Forças Armadas não responderam imediatamente a um pedido de comentário. Esses órgãos já haviam rejeitado críticas anteriores de Albanese às ações militares de Israel em Gaza.
O Hamas afirmou que apoiou o alerta da especialista e defendeu que a retirada seja feita para preservar provas e recuperar os restos mortais de pessoas desaparecidas.
As autoridades palestinas estimam que mais de 8 mil pessoas ainda estejam soterradas. No mês passado, uma equipe de resgate palestina que atuava na Cidade de Gaza informou ter encontrado os restos mortais de 112 pessoas do mesmo clã.
Os ataques liderados pelo Hamas em 2023 mataram 1.200 pessoas em Israel, e 251 foram feitas reféns, conforme dados israelenses. Mais de 73 mil palestinos morreram na campanha militar israelense, segundo autoridades de saúde de Gaza. Israel afirma que tentou evitar mortes de civis e acusa o Hamas de usar a população como escudo humano; o grupo nega essa alegação.








