Donald Trump prometeu pagar US$ 5 mil a cada adulto americano caso o Partido Republicano vença as eleições de meio de mandato e mantenha o controle do Senado e da Câmara dos Representantes. A votação está marcada para 3 de novembro.
A promessa foi feita durante a primeira noite da convenção republicana em Dallas, no Texas. Trump sugeriu chamar o pagamento de “Dividendo Trump” e afirmou que o dinheiro teria de ser gasto nos Estados Unidos.
O presidente não explicou como financiaria a distribuição, que alcançaria cerca de 270 milhões de adultos, nem apresentou regras para a execução dos pagamentos. O vice-presidente JD Vance disse que os recursos viriam do aumento da arrecadação obtido no enfrentamento a empresas e países estrangeiros.
Limites legais e custo da proposta
A Constituição dos Estados Unidos estabelece que o Poder Executivo executa gastos definidos pelo Legislativo. Por isso, o pagamento precisaria ser aprovado pelo Congresso.
O professor de relações internacionais Carlos Poggio avaliou que a proposta dificilmente avançará. Para ele, promessas desse tipo envolvem questões mais complexas e não podem ser cumpridas sem as medidas necessárias.
Os Estados Unidos enfrentam déficit anual de US$ 2 trilhões e dívida pública de US$ 40 trilhões. Se o plano fosse aprovado, o desembolso para mais de 200 milhões de adultos ultrapassaria US$ 1 trilhão.
O economista-chefe da RSM US, Joe Brusuelas, classificou a proposta como “política fiscal inoportuna e mal aconselhada”. Também há discussão sobre a possibilidade de a promessa representar compra de voto.
Outras promessas de pagamentos
Durante a segunda gestão Trump, o governo já havia sugerido ou anunciado outras distribuições de dinheiro. Em fevereiro de 2025, Elon Musk propôs os “Dividendos do Doge”, com cheques de US$ 5 mil financiados por economias do então Departamento de Eficiência Governamental. Trump disse ter gostado da ideia, mas o plano não avançou. O Doge foi aberto em janeiro daquele ano e acabou quatro meses depois, em maio.
Em novembro de 2025, Trump prometeu pagar US$ 2.000 a cidadãos americanos de classe média e baixa com recursos obtidos pelas tarifas impostas a outros países. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que seria necessária uma legislação. O plano também não foi executado.
Em dezembro de 2025, o governo anunciou um bônus de US$ 1.776 para militares. O pagamento ocorreu no mês seguinte como parcela extra do auxílio-moradia. Aproximadamente 1,28 milhão de militares da ativa e 174 mil da reserva estavam aptos a receber o valor, de acordo com o Departamento de Defesa.
A promessa mais recente ocorre em um cenário de queda na aprovação de Trump. Pesquisa da Focaldata apontou que 33% dos eleitores americanos registrados aprovavam seu desempenho, três pontos percentuais a menos que no mês anterior. Entre republicanos, o apoio chegou a 72%, queda de mais de dois pontos percentuais.








