Eleitores alemães votaram neste domingo (20) em eleições estaduais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim, em uma disputa que pode aumentar a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz. O resultado ocorre após o avanço da Alternativa para a Alemanha (AfD) na eleição de 6 de setembro, na Saxônia-Anhalt.
As urnas tinham fechamento previsto para as 18h (13h de Brasília), com as primeiras pesquisas de boca de urna esperadas logo depois. Na Saxônia-Anhalt, a AfD chegou perto de conquistar maioria absoluta e passou a considerar o desempenho como um primeiro passo para vencer as eleições federais previstas para 2029.
A legenda defende medidas rigorosas para deportar estrangeiros sem direito de permanecer na Alemanha, a retomada das relações energéticas com a Rússia e o abandono do euro. Em pouco mais de uma década, o partido deixou de ser um movimento eurocético marginal e se tornou o mais popular do país.
Disputa em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental
As pesquisas indicavam que a AfD provavelmente não repetiria a vitória da Saxônia-Anhalt nas eleições deste domingo. Ainda assim, o desempenho da legenda poderia renovar o debate sobre a estratégia pela qual os principais partidos se recusam a formar coalizões com ela.
A CDU, partido conservador de Merz, corria o risco de registrar seu pior resultado da história em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Levantamento do Forschungsgruppe Wahlen, divulgado na sexta-feira, atribuía 6% à legenda, que poderia não alcançar a cláusula de barreira para entrar no parlamento estadual.
A pesquisa também mostrava uma disputa apertada entre o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, e a AfD. O SPD tinha 37%, contra 36% da AfD. Die Linke aparecia com 9%, e os Verdes, com 5%, exatamente no limite para entrar no parlamento. As duas legendas poderiam ser parceiras de coalizão da governadora Manuela Schwesig.
Schwesig concentrou a campanha em sua popularidade e alertou para “nuvens escuras” ao falar da AfD, que classificou como perigosa. Alice Weidel, líder nacional do partido, atacou Merz no encerramento da campanha. “A partir da próxima semana, o tom do chanceler ficará muito baixo”, disse ela.
Merz enfrenta desgaste
Eleito no ano passado com a promessa de reformar a economia e retomar o crescimento, Merz enfrenta dificuldades para conquistar os eleitores. Reformas impopulares em previdência, impostos e saúde, além de falhas de comunicação, contribuíram para o descontentamento. As pesquisas mais recentes apontavam aprovação de apenas 14%.
As principais lideranças da CDU continuavam apoiando o chanceler. A substituição seria difícil por razões constitucionais e não eliminaria os problemas econômicos enfrentados pelo governo.
Em Berlim, Die Linke liderava com 22%, seguido pela CDU, com 20%. Os Verdes tinham 15%, o SPD, 12%, e a AfD, 18%, em terceiro lugar. O avanço da legenda também ameaçava o domínio dos conservadores sobre a prefeitura. O BSW aparecia como a única legenda que havia declarado que poderia trabalhar com a AfD.








