Uma autoridade dos Emirados Árabes Unidos classificou como “ato terrorista” o ataque a facadas contra o comandante de um voo da Flydubai com destino a Israel. O episódio ocorreu na quarta-feira, 30, dois dias antes da declaração de Anwar Gargash, conselheiro do presidente Mohammed bin Zayed.
O comandante indiano Smit Machchhar foi ferido pelo copiloto, mas conseguiu destravar a porta da cabine. Três passageiros israelenses entraram no espaço e imobilizaram o agressor. Uma tripulação reserva que estava a bordo conduziu o avião até um pouso de emergência em Tabuk, na Arábia Saudita.
Gargash afirmou, em uma publicação no X, que o caso deve ser analisado sem teorias conspiratórias e defendeu vigilância contínua contra ideologias extremistas. Ele também elogiou a reação do comandante.
Investigações continuam
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse em vídeo que os detalhes do caso estão ficando “cada vez mais claros”. Segundo ele, tripulantes e passageiros evitaram uma tragédia semelhante aos atentados de 11 de Setembro. Netanyahu afirmou que o copiloto teria passado por um processo de radicalização islâmica com o objetivo de derrubar o avião com os passageiros.
A investigação israelense tenta verificar se o suspeito recebeu ordens de alguma organização externa. O governo também quer participar das apurações conduzidas pelos Emirados e interrogar o copiloto. Ainda não há conclusão sobre uma possível ligação com o Irã. Donald Trump mencionou essa possibilidade com base em informações recebidas, mas disse que as investigações continuam.
Até quinta-feira, a apuração israelense apontava para uma atuação solitária do copiloto. Os Emirados abriram uma investigação para determinar se houve relação com alguma “atividade ou tentativa terrorista” e se existiu planejamento prévio. O país afirma ter jurisdição porque o avião é registrado nos Emirados e opera sob sua bandeira.
O ataque durante o voo
O voo FZ1073 saiu de Dubai com destino a Tel Aviv transportando 174 pessoas. Cerca de duas horas e meia após a decolagem, o copiloto atacou o comandante. A aeronave mudou de rota enquanto sobrevoava a Jordânia e transmitiu sinais de emergência.
Dados de rastreamento indicam que o avião perdeu quase 14.000 pés, mais de 4.000 metros, em menos de 30 segundos antes de se estabilizar. O comandante e o copiloto foram hospitalizados após o pouso, enquanto os passageiros receberam atendimento no terminal do aeroporto.
Uma passageira identificada como Miriam relatou que ouviu gritos e viu sangue quando a porta da cabine se abriu. “Houve momentos em que todos nós aqui tínhamos certeza de que não sairíamos vivos”, afirmou.








