O governo dos Estados Unidos afirmou ter colocado uma arma em órbita da Terra, mas não informou quando o equipamento foi lançado nem quais são suas capacidades. O secretário da Força Aérea americana, Troy Meink, disse que o armamento seria necessário para proteger as forças dos Estados Unidos contra ações de inimigos hostis.
A possibilidade mais citada por especialistas é a de uma tecnologia de guerra eletrônica ou de interferência de rádio. Esse tipo de equipamento poderia interromper comunicações via satélite sem destruir o alvo. Também são consideradas hipóteses mais arriscadas, como um veículo capaz de lançar projéteis contra outros satélites ou um equipamento para inspeção e combate próximo.
Rússia e China
A União Soviética já havia lançado armas ao espaço no final dos anos 1960. O programa Istrebitel Sputnikov, ou Destruidor de Satélites, usava satélites projetados para liberar projéteis e gerar estilhaços no caminho de outros equipamentos, normalmente americanos.
Rússia e China também demonstraram atividades que podem estar relacionadas a armas espaciais. No caso russo, há indícios de testes de armas co-orbitais, capazes de operar na mesma região de um satélite e, potencialmente, lançar um projétil. A China demonstrou capacidade de reboque espacial, com veículos que podem se aproximar de satélites e levá-los a outra órbita.
Nos últimos 10 anos, os dois países aumentaram as operações de encontro e proximidade, conhecidas como RPOs. Essas manobras podem ser usadas para perturbar satélites, provocar colisões ou alterar suas órbitas. Também podem ter aplicação na remoção de lixo espacial.
Risco de destroços e armas nucleares
Testes de mísseis antissatélites com ascensão direta podem espalhar fragmentos por longos períodos. Um teste realizado pela China em 2007 ainda deixou detritos em órbita da Terra, segundo especialistas. Mesmo objetos pequenos podem causar danos por causa da velocidade alcançada no espaço.
A Rússia também possui mísseis lançados do solo ou de aeronaves em grande altitude, capazes de atingir satélites em órbita baixa. Especialistas afirmam ainda que uma arma nuclear no espaço poderia gerar um pulso eletromagnético capaz de inutilizar satélites em uma grande área.
O risco de um conflito nuclear no espaço, porém, estaria ligado a um conflito também na Terra, e não a uma guerra espacial isolada.
Sinal político
Especialistas avaliam que o anúncio americano representa mais um sinal político do que uma mudança significativa por si só. A modernização das forças armadas chinesas nos últimos 30 anos e o aumento do número de satélites militares do país teriam ampliado os incentivos para que os Estados Unidos desenvolvessem armas espaciais.
Em um eventual conflito, seriam possíveis o uso de mísseis contra satélites, manobras para desorientar ou destruir equipamentos e lasers instalados em terra. Como a Rússia tem menos satélites que China e Estados Unidos, um especialista avalia que o país poderia ocupar uma posição favorável nesse cenário.









