A vacinação durante a gravidez protege a gestante e o bebê contra doenças como coqueluche, hepatite B, influenza, covid-19 e vírus sincicial respiratório (VSR). Parte dos anticorpos produzidos pela mãe atravessa a placenta e ajuda a proteger a criança nos primeiros meses de vida, quando o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.
A vacina contra o VSR foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2025. Desde então, os casos de doenças respiratórias graves entre menores de seis meses caíram 52,5% no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. A cobertura do imunizante chegou a 86%.
O cenário é diferente para vacinas que já fazem parte do calendário da gestante. Em 2026, a cobertura da dTpa caiu pelo segundo ano consecutivo. A vacina protege contra difteria, tétano e coqueluche. A imunização contra a covid-19 alcançou 55,56%, abaixo da meta de 90%.
Doenças que podem ser evitadas
O VSR é responsável por 80% dos casos de bronquiolite e por até 60% das pneumonias em menores de dois anos, de acordo com o Ministério da Saúde. Entre 2025 e setembro de 2026, 61 mil crianças com menos de dois anos tiveram síndrome respiratória aguda grave causada pelo vírus; 456 morreram.
A coqueluche também pode provocar crises intensas de tosse e dificuldade para respirar. Em 2024, o Brasil registrou 7,4 mil casos e 29 mortes. Em 2026, até 3 de setembro, foram confirmados 379 casos, sendo 177 entre crianças menores de 1 ano.
A cobertura da dTpa está em 82,20%, abaixo dos 86,73% registrados em 2024 e da meta de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações. A proteção começa na gestação e continua com a vacinação infantil, incluindo a pentavalente aos dois, quatro e seis meses de idade.
A hepatite B também preocupa. Em 2025, houve aumento de 6,5% nos casos entre crianças pequenas. O vírus pode ser transmitido da mãe para o filho durante a gestação, o parto, a amamentação ou o convívio em casa. Quando a infecção ocorre no nascimento, a chance de evolução para a forma crônica chega a 90%.
Proteção da gestante
Influenza e covid-19 podem causar quadros graves durante a gravidez. Uma revisão estimou que gestantes tiveram 144% mais chances de internação por complicações da influenza do que mulheres não grávidas. No terceiro trimestre, o risco de internação por problemas respiratórios durante uma temporada de gripe pode ser 5,1 vezes maior.
A vacinação também reduz o risco de complicações para a mãe, como insuficiência respiratória e miocardite. Essas condições podem estar associadas a parto prematuro, baixo peso ao nascer e morte fetal.
Antes da gravidez, é importante verificar a proteção contra doenças como sarampo, caxumba, rubéola e varicela. A tríplice viral e a vacina contra varicela são contraindicadas durante a gestação. Para mulheres não imunizadas contra a rubéola, o Ministério da Saúde orienta receber a tríplice viral antes de engravidar e aguardar pelo menos quatro semanas.
Entre os obstáculos à vacinação estão o medo de efeitos adversos, dúvidas sobre a segurança para o bebê, dificuldade de acesso e falta de recomendação durante o pré-natal. Especialistas defendem informação clara, oferta facilitada e orientação ativa dos profissionais de saúde.








