O sarampo é uma doença causada por um vírus do gênero Morbillivirus. A transmissão é facilitada pela alta contagiosidade: uma pessoa infectada pode passar o vírus para até 90% das pessoas próximas que não estejam imunizadas, segundo o Ministério da Saúde.
O vírus foi descrito pela primeira vez pelo médico persa Rhazes, que viveu entre os anos 860 e 932. A doença chegou ao Brasil com a expansão colonial europeia para as Américas, a partir do século 16. Uma epidemia em Belém, no Pará, entre 1748 e 1749, matou 15 mil pessoas, conforme registro do acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da Universidade de São Paulo (USP).
Sintomas e transmissão
Os sinais mais comuns são febre alta, geralmente acima de 38,5 °C, manchas vermelhas na pele, tosse seca, conjuntivite sem pus ou secreção espessa e manchas de Koplik, pequenos pontos brancos que podem aparecer na mucosa da boca. As manchas na pele costumam surgir primeiro na cabeça e depois avançar pelo corpo em direção aos pés.
A pessoa infectada começa a transmitir o vírus cerca de dois dias antes do início dos sintomas. De acordo com Julio Onita, infectologista e coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital IGESP, em São Paulo, uma pequena quantidade do vírus já pode provocar a doença.
O diagnóstico considera os sintomas, o histórico de contato com pessoas infectadas e a situação epidemiológica. Exames laboratoriais também podem confirmar a infecção, como a sorologia, que procura anticorpos no sangue, e o RT-PCR, que identifica diretamente o material genético do vírus.
Não existe tratamento específico para o sarampo. O cuidado utiliza medicamentos para aliviar os sintomas. Em algumas pessoas, podem surgir infecções bacterianas oportunistas, que devem ser tratadas pelo médico.
Vacinação e grupos de risco
No Brasil, a vacina contra o sarampo é indicada para pessoas de 12 meses a 59 anos e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dentro do Calendário Nacional de Vacinação.
Segundo Sabrina Soares, infectologista do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro, pessoas entre 1 e 29 anos devem receber duas doses. Dos 30 aos 59 anos, é indicada pelo menos uma dose. Quem não tem o esquema documentado deve se vacinar. Em surtos ou diante do aumento de casos, pode ser aplicada uma dose de reforço para ampliar a cobertura.
Nenhuma vacina é 100% eficaz, mas duas doses protegem mais de 95% das pessoas. Quando ocorre em alguém vacinado, a doença geralmente é mais branda.
A vacina é contraindicada para gestantes, menores de 6 meses, pessoas com imunossupressão e pessoas com alergia aos componentes do imunizante. Como é feita com vírus atenuados, a indicação precisa ser avaliada individualmente em alguns casos.
Complicações e histórico recente
Crianças pequenas têm maior risco de complicações porque o sistema imunológico ainda está em maturação. Elas também podem não ter recebido todas as doses da vacina. Entre os problemas possíveis estão pneumonia, otite e encefalite.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 1 em cada 20 crianças com sarampo desenvolve pneumonia. Entre 1 e 4 a cada 1.000 podem ter encefalite, e estima-se que 1 a 3 em cada 1.000 crianças com a doença morram por complicações.
Quem já teve sarampo tende a ficar imune, porque a infecção ativa o sistema imunológico e produz anticorpos de memória. Essa proteção pode diminuir em situações de queda da imunidade, como após um transplante ou durante quimioterapia.
Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a certificação de eliminação da circulação do vírus. Depois, perdeu o reconhecimento após mais de 12 meses de transmissão, em um cenário de baixas coberturas vacinais e fluxo migratório. Em 2024, o país recuperou a certificação, mas ainda enfrenta dificuldades para alcançar a meta de vacinação.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que os imunizantes já salvaram mais de 150 milhões de vidas. Para Julio Onita, a vacinação em massa continua sendo a principal estratégia para reduzir a circulação do vírus.








