A execução de Christa Pike, de 50 anos, foi interrompida no Tennessee depois que ela continuou respirando e roncando alto após receber duas doses de pentobarbital, usado no protocolo de injeção letal do estado.
O governador Bill Lee suspendeu as execuções no Tennessee após a falha, ocorrida na noite de quarta-feira (30/9), e determinou uma revisão independente dos procedimentos. Neste sábado (3/10), o chefe do sistema prisional do estado foi retirado do cargo.
Pike está em um hospital e recebe “cuidados para salvar sua vida”, segundo seu advogado. O protocolo do Tennessee prevê um segundo conjunto de seringas com pentobarbital caso a primeira dose não mate o preso, mas não define o que deve ser feito se a pessoa continuar viva depois disso.
Michael Graczyk, de 76 anos, acompanhou quase 500 execuções no Texas ao longo de 46 anos como jornalista. Mesmo aposentado, ele continua cobrindo execuções no estado em trabalhos como freelancer.
Graczyk disse que já presenciou casos em que as agulhas precisaram ser retiradas e inseridas novamente, mas nunca havia visto uma execução falhar depois da aplicação da injeção. “Para mim, era só uma questão de tempo”, afirmou.
Falhas na injeção letal
As execuções malsucedidas receberam mais atenção na última década, depois que a escassez dos medicamentos levou alguns estados americanos a alterar fórmulas ou buscar substâncias de fontes mais duvidosas. Alguns estados também retomaram o fuzilamento como alternativa.
O Death Penalty Information Center lista 64 execuções malsucedidas desde 1982. Em 51 casos, o método usado foi a injeção letal. Em pelo menos sete situações, a execução foi interrompida porque não foi possível inserir a via intravenosa.
A organização considera malsucedida uma execução marcada por problemas ou atrasos inesperados que tenham causado, ao menos possivelmente, sofrimento desnecessário ao preso ou que indiquem grave incompetência do executor.
A injeção letal é o método mais usado nos 27 estados americanos onde a pena de morte é legal. Desde 1976, quando a Suprema Corte dos EUA restabeleceu a pena capital, houve 1.683 execuções no país. O Texas realizou 602, o maior número entre os estados, e foi o primeiro a usar a injeção letal, em 1982.
A vítima de Pike foi Colleen Slemmer, de 19 anos, da Flórida. Segundo relatos de amigos e familiares, ela gostava de andar de patins, sorrir e ajudar outras pessoas. A mãe de Slemmer, May Martinez, esteve no Tennessee durante a tentativa de execução e depois afirmou que “foi uma bagunça”.








