TENNESSEE — A execução de Christa Pike, condenada à morte nos Estados Unidos, falhou depois que ela recebeu duas injeções letais e permaneceu viva. A detenta foi levada a um centro médico fora da prisão, informou o Departamento Penitenciário do Tennessee nesta quinta-feira, 1º.
Pike tem 50 anos e seria a primeira mulher submetida à pena de morte no Tennessee em 200 anos. A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou o procedimento poucas horas antes, apesar da discordância das ministras Sonia Sotomayor, Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson.
O departamento penitenciário afirmou que “seguiu cada etapa do protocolo de execução legal previsto pelo estado”. Os advogados disseram que a defesa não recebeu informações sobre o estado de saúde da detenta. Em comunicado, a equipe declarou: “Esta noite, o estado do Tennessee mais uma vez falhou na realização de uma execução legal”.
A execução estava prevista para 10h00 locais, 12h00 de Brasília, na Instituição de Segurança Máxima Riverbend. Testemunhas, incluindo jornalistas, acompanharam a aplicação das injeções. Sete repórteres relataram, durante uma transmissão ao vivo, que Pike cantava e se mexia em alguns momentos, reclamou de dor no braço e estava viva e roncando antes de os agentes retirarem o grupo do local.
O jornalista John North, da WBIR, afirmou que, quando deixou o prédio, acreditava que Pike ainda estava viva. Uma ambulância deixou o local com as luzes acesas, mas não ficou claro se transportava a condenada.
Histórico do caso
Em maio, o Tennessee suspendeu a execução de Tony Carruthers porque a equipe médica não conseguiu encontrar uma veia para aplicar o procedimento. Depois da nova falha, o governador Bill Lee anunciou a suspensão de outra execução prevista para este ano e pediu uma “revisão integral por parte de terceiros”.
Pike foi condenada pelo homicídio de Colleen Slemmer, cometido em 1995, quando tinha 18 anos. Ela e o namorado espancaram e mataram a colega em um acampamento de formação profissional para jovens. O namorado, que tinha 17 anos na época, recebeu pena de prisão perpétua.
Os advogados afirmaram que Pike sofria de transtorno bipolar e estresse pós-traumático desde a infância, mas só recebeu os diagnósticos depois da condenação. Em um pedido de clemência, disseram que ela tinha “doença mental grave” e havia enfrentado abusos sexuais, violência, abandono e traumas profundos.
Bill Lee se recusou a intervir. A Suprema Corte já havia rejeitado, na terça-feira, um pedido para suspender a execução. Especialistas da ONU também pediram que as autoridades interrompessem o procedimento e comutassem a sentença de morte.
Desde 1976, 18 mulheres foram executadas nos Estados Unidos, segundo o Centro de Informação sobre a Pena de Morte. A última foi Amber McLaughlin, em 2023, no Missouri.







