VIRGÍNIA — O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira, 30, que o país vai reduzir em 20% o número de generais e almirantes. A declaração ocorreu na Base do Corpo de Fuzileiros Navais de Quantico, durante um evento para oficiais subalternos e líderes formados.
A redução total deverá ser concluída até 1º de janeiro de 2027. No ano passado, Hegseth havia determinado que todos os ramos das Forças Armadas diminuíssem em 10% os cargos de generais de alta patente.
“Eu chamo isso de prestação de contas, e já estava mais do que na hora”, afirmou o secretário.
Congressistas vêm criticando estratégias do Pentágono na guerra ao Irã e a consequente redução dos estoques de munição. Alguns parlamentares classificaram os cortes no alto escalão como um “expurgo” da cúpula militar.
O democrata Mark Kelly, senador pelo Arizona, ex-piloto de combate da Marinha e astronauta da NASA, afirmou que Hegseth tem ressentimento em relação à liderança militar. Para Kelly, o secretário está afastando uma geração de líderes, e a recomposição levará anos.
Trump ou Hegseth já demitiram ou forçaram a aposentadoria de quase trinta líderes militares desde que assumiram o cargo. Entre eles está o general Randy George, oficial de mais alta patente do Exército. A medida provocou críticas de republicanos e democratas no Congresso. Também foram afastados oficiais de alta patente que são mulheres ou pessoas não brancas.
Novo comando de drones
Hegseth anunciou ainda a criação do Comando de Guerra Autônoma, voltado a recursos autônomos e robóticos das Forças Armadas. A estrutura deverá ser instaurada até 1º de outubro de 2027.
O anúncio ocorreu um mês depois de o Exército americano desativar seu batalhão experimental de drones na Europa e determinar o retorno dos militares às funções tradicionais de infantaria. Legisladores dos Estados Unidos pediram explicações sobre a decisão.
A criação do comando ocorre durante um impasse entre os Estados Unidos e o Irã pelo controle do Estreito de Ormuz, principal rota marítima mundial para o transporte de petróleo. Segundo o Pentágono, o conflito já custou US$ 45,1 bilhões.
No discurso, Hegseth também exaltou os investimentos do governo Donald Trump na indústria de defesa e a pressão para acelerar a expansão dos arsenais. Ele afirmou que os militares americanos eliminaram a Marinha, a força aérea, os sistemas de defesa, muitos líderes e a base industrial do Irã.








