O órgão oficial de fiscalização do Pentágono divulgou nesta segunda-feira (14) o primeiro levantamento formal do Departamento de Defesa sobre perdas de equipamentos e instalações dos Estados Unidos na guerra com o Irã. O relatório cobre o período entre 28 de fevereiro e 30 de junho.
Durante os primeiros meses do conflito, ataques iranianos danificaram ou destruíram centenas de edifícios e estruturas em bases americanas no Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã e Jordânia, de acordo com comunicações do Comando Central dos EUA (CENTCOM) citadas pelo inspetor-geral.
O documento também registra o esgotamento de estoques estratégicos de munição e mudanças na operação das tropas americanas. O CENTCOM "realocou pessoal, ativos e instalações de armazenamento" diante dos ataques do Irã e de forças aliadas.
Entre as medidas adotadas esteve a retirada de helicópteros de mobilização médica do Exército do Iraque e do Kuwait. Com isso, a maior parte dos deslocamentos médicos passou a ser feita por terra até instalações de tratamento locais.
A destruição do centro regional da Marinha no Bahrein aumentou as dificuldades para estabelecer bases navais e portos de apoio. O secretário interino da Marinha, Hung Cao, afirmou que a estrutura foi "completamente destruída" pelo Irã. Diego Garcia, no Oceano Índico, passou a funcionar como centro logístico marítimo, ampliando os ciclos de reabastecimento para 14 a 18 dias.
A situação também provocou escassez intermitente de suprimentos e interrupção do sistema regional de correio militar. Marinheiros americanos enfrentaram essas dificuldades durante missões no Golfo Pérsico destinadas a apoiar ataques aéreos contra o Irã e, nos últimos meses, bloquear seus portos.
Danos a instalações diplomáticas
O relatório foi elaborado com os gabinetes dos inspetores-gerais do Departamento de Estado e da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Segundo o documento, os danos causados pelo Irã a instalações diplomáticas americanas no Oriente Médio chegaram a cerca de US$ 184 milhões. Não houve estimativa de custos para os danos em instalações militares.
Os ataques atingiram representações no Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. No início de março, dois drones iranianos atingiram a Embaixada dos EUA em Riad, causando danos extensos, inclusive na base da CIA localizada no complexo.
Também no início de março, um drone atingiu o consulado americano em Dubai e danificou um prédio de serviços auxiliares. Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, disse que o drone havia atingido um "estacionamento adjacente ao prédio da chancelaria".
A Embaixada dos EUA no Kuwait suspendeu totalmente as operações em março, depois de ser atingida e danificada por drones iranianos. Os serviços de emergência para cidadãos americanos foram retomados no final de junho.
Uma autoridade de alto escalão do Departamento de Estado informou em maio que houve mais de 600 ataques contra instalações americanas no Iraque. Esses ataques provocaram os maiores danos financeiros, estimados em cerca de US$ 157 milhões.
Entre 23 de fevereiro e 30 de junho, até 3.500 funcionários diplomáticos ficaram fora da região. A maioria das representações operava sob regime de partida autorizada ou obrigatória, que exigiu a saída de funcionários não essenciais e de familiares do Bahrein, Iraque, Jordânia, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
A maior parte das representações continua em regime de operações restritas. Alguns diplomatas e familiares começaram a retornar, mas o funcionamento ainda não voltou ao quadro normal de pessoal.








