Os Estados Unidos concluíram nesta quarta-feira, 30, a saída das últimas tropas do Iraque, encerrando uma presença militar iniciada com a invasão do país em 2003. Os soldados estavam concentrados em bases do Curdistão, no norte iraquiano.
Com o fim da missão de combate ao Estado Islâmico, a responsabilidade pela segurança passa às forças de Bagdá. O Pentágono informou que continuará oferecendo apoio pontual aos parceiros iraquianos, incluindo treinamento e inteligência.
“Este marco reflete o sucesso de uma campanha de 12 anos que derrotou o Estado Islâmico como uma ameaça militar organizada no Iraque e em toda a região”, afirmou Sean Parnell, porta-voz do Departamento de Defesa. Para ele, a mudança encerra uma operação de coalizão em tempos de guerra e inicia uma relação bilateral de segurança.
O primeiro-ministro iraquiano, Ali Faleh al-Zaidi, declarou que o país começa uma nova fase, marcada pela soberania nacional, pelo fortalecimento das instituições e pela preparação das forças iraquianas. A saída havia sido acordada em 2024, durante o governo de Joe Biden, e foi executada pela administração de Donald Trump.
Influência iraniana e risco de instabilidade
A retirada ocorre após anos de expansão da influência do Irã no Iraque. Teerã ampliou os vínculos com partidos, políticos e grupos armados xiitas depois da queda de Saddam Hussein. A milícia iraquiana As’hab Al-Kahf, apoiada pelo Irã, comemorou a saída e a classificou como uma retirada do “ocupante americano”.
O Estado Islâmico perdeu o território que controlava e teve seu autoproclamado califado derrotado em 2017, mas células adormecidas continuam atuando no Iraque. Durante a campanha, os Estados Unidos ofereceram treinamento, inteligência, vigilância aérea e reconhecimento às forças do país.
As tropas americanas já haviam deixado o Iraque em 2011, mas voltaram em 2014, a pedido de Bagdá, depois que o grupo conquistou grandes áreas do território, incluindo Mossul. No auge da guerra, em 2007, mais de 170 mil militares americanos estavam mobilizados no país.
Apesar da saída militar, Washington e Bagdá devem continuar cooperando em treinamento, contraterrorismo, planejamento militar e inteligência. Os Estados Unidos também mantêm influência econômica sobre o Iraque por meio da gestão das receitas do petróleo e do acesso ao dólar.








