IRAQUE — As forças dos Estados Unidos devem deixar as últimas bases no Iraque até esta quarta-feira, 30. A medida encerra mais de duas décadas de presença militar americana no país e ocorre em meio a preocupações sobre o aumento da influência do Irã e de grupos armados aliados a Teerã.
O acordo para o fim da presença militar foi fechado em 2024, durante o governo de Joe Biden, e passou a ser executado pela administração de Donald Trump. A retirada acontece enquanto Washington mantém um conflito com o Irã, que exerce influência política e militar sobre o Iraque.
Grupos armados iraquianos apoiados por Teerã comemoraram a saída. Abu Mojtaba al-Yasiri, comandante da Resistência Islâmica no Iraque, disse que a retirada representa “uma vitória histórica para os grupos da resistência islâmica iraquiana” e uma derrota para o projeto americano.
A saída também preocupa iraquianos que avaliam que as forças de segurança do país ainda dependem do apoio da coalizão liderada pelos Estados Unidos. Um dos temores é que milícias ligadas ao Irã ampliem sua influência sobre decisões políticas e de segurança em Bagdá.
Outro risco citado é a reorganização do Estado Islâmico. O grupo perdeu o território que controlava no Iraque há quase uma década, mas células clandestinas continuam atuando no país. Autoridades de segurança iraquianas e do Curdistão afirmam que a redução do apoio americano em inteligência, logística e operações com drones pode favorecer os extremistas.
Histórico da presença americana
Os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003 e derrubaram o regime de Saddam Hussein. A justificativa oficial era a suposta existência de armas de destruição em massa, que nunca foi comprovada.
Após anos de ocupação e confrontos com grupos insurgentes, as tropas americanas saíram no fim de 2011. Menos de três anos depois, retornaram a pedido do governo iraquiano para combater o Estado Islâmico, que chegou a controlar cerca de um terço do território.
Cerca de 4.500 militares americanos morreram na guerra iniciada em 2003. Em 2020, um ataque americano no aeroporto de Bagdá matou o general iraniano Qasem Soleimani. Milícias apoiadas pelo Irã também realizaram ataques repetidos contra bases americanas no país.








