ITAJAÍ — Depois de quatro voltas ao mundo e 42 anos no mar, a Família Schurmann prepara uma nova etapa para a iniciativa Voz dos Oceanos. O projeto passará a se chamar Vozes do Oceano e terá um fundo patrimonial com meta inicial de captação de US$ 6,3 milhões.
A proposta é formar uma fonte permanente de recursos para projetos científicos, educacionais e de comunicação voltados à conservação marinha. A família afirma ter investido mais de R$ 10 milhões na iniciativa, sem contar os patrocínios.
Nos últimos cinco anos, os Schurmann percorreram mais de 140 destinos em 17 países a bordo do veleiro Kat. A expedição identificou plástico e microplástico em praticamente todos os locais visitados, segundo a organização. O barco retornou a Itajaí, em abril de 2026.
Como funcionará o fundo
O modelo estudado pela família é o de um endowment, conhecido no Brasil como fundo patrimonial. As doações formam um patrimônio que será investido. Parte dos rendimentos financiará as atividades, enquanto o restante será reinvestido.
No desenho previsto, metade dos rendimentos anuais irá para os projetos e para a estrutura da Vozes do Oceano. A outra metade voltará para o patrimônio. A expectativa é chegar a US$ 20 milhões em dez anos.
A organização busca grandes doadores, family offices e fundos internacionais. O fundo terá conselho, comitê de investimentos e auditoria próprios. Das seis cadeiras previstas no conselho, duas ficarão reservadas à Família Schurmann ou a pessoas indicadas por ela.
Os investimentos deverão seguir diretrizes compatíveis com a atuação ambiental. A intenção é evitar aplicações em petrolíferas, mineradoras e outras empresas consideradas prejudiciais ao meio ambiente e aos oceanos.
Mudança de nome e próximos passos
A alteração para o plural, em Vozes, representa a participação de cientistas, comunidades costeiras, pescadores, marisqueiras, estudantes, organizações ambientais e empresas. David Schurmann, CEO do Instituto Voz dos Oceanos, afirma que a iniciativa ainda era vista como uma extensão das expedições da família.
A nova fase pretende colocar no centro as diferentes vozes encontradas durante as viagens. Vilfredo e Heloísa Schurmann continuam morando no barco, ancorado em Itajaí, mas ainda não há uma nova volta ao mundo definida. Segundo David, outra viagem só será planejada quando houver uma missão clara.
Enquanto isso, a organização quer ampliar as Casas Vozes do Oceano. Os espaços itinerantes reúnem mostra, sessões de cinema, debates e atividades com cientistas, estudantes, universidades, organizações ambientais e empresas. Uma edição em Belém, durante a COP30, recebeu 100 mil visitantes.
A meta é realizar duas ou três casas por ano, inclusive fora dos grandes centros. O fundo patrimonial deverá ajudar a manter esse calendário e as ações de educação ambiental.








