BRUXELAS — Os líderes do G7 decidiram liberar até 100 milhões de barris de petróleo bruto e diesel de suas reservas estratégicas ao longo dos próximos quatro meses. A medida pretende aumentar a oferta e aliviar a pressão sobre os preços dos combustíveis, afetados pela guerra no Oriente Médio e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
A decisão foi anunciada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, depois de uma videoconferência realizada nesta sexta-feira, 2. O G7 é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.
Reservas e exportações
Macron afirmou que a liberação será coordenada com a Agência Internacional de Energia (AIE). A expectativa é que uma quantidade “substancial” dos estoques chegue ao mercado nos próximos 20 dias. Os países também mantêm aberta a possibilidade de liberar novas reservas, se necessário.
Os integrantes do grupo concordaram ainda em não criar restrições às exportações de combustíveis entre os membros. A medida ocorreu após o governo dos Estados Unidos pressionar países europeus a usar seus estoques de diesel e ameaçar interromper as vendas para a União Europeia (UE).
“Nós nos comprometemos a que não haja nenhuma proibição às exportações”, disse Macron. O presidente francês afirmou que as ações devem ajudar a reduzir os preços dos combustíveis.
O G7 também pretende trabalhar para diminuir as margens das refinarias e os custos de transporte, que subiram com o conflito no Oriente Médio e os bloqueios no Estreito de Ormuz. Donald Trump disse que a possibilidade de proibir as exportações americanas “na verdade, nunca esteve sobre a mesa”.
A Comissão Europeia havia alertado que uma restrição poderia afetar a confiança da UE nos Estados Unidos como parceiro comercial. Metade do diesel importado pelos 27 países do bloco tem origem americana.
Reação do mercado
Após as decisões, o Brent para entrega em dezembro fechou em queda de 0,06%, a US$ 102,25 por barril. O WTI para novembro recuou 1,90%, a US$ 91,11.
Os ataques ucranianos contra a infraestrutura energética da Rússia e o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã vêm afetando o fornecimento global de diesel. Na zona do euro, a inflação chegou a 3,8% em setembro, maior nível em três anos, impulsionada pela alta da energia.
O preço médio semanal do diesel nos postos da União Europeia alcançou 2,24 euros por litro, equivalente a R$ 13,17. Nos Estados Unidos, o combustível chegou a US$ 6,53 por galão (3,78 litros) no fim de setembro, ou R$ 34,10.








