A imprensa internacional destacou nesta segunda-feira, 5, a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição presidencial brasileira. As análises também apontaram o desempenho do senador acima das pesquisas e a possibilidade de uma nova vitória da direita na América Latina.
Com 100% das urnas apuradas, Flávio terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro. O resultado contrariou as pesquisas mais recentes, que indicavam liderança do presidente.
A Economist avaliou que a votação recolocou o bolsonarismo no centro da política brasileira. A revista britânica afirmou que o movimento ligado a Jair Bolsonaro parecia ter perdido força depois da condenação do ex-presidente, mas voltou a mostrar capacidade de mobilização nas urnas. A publicação também considerou possível uma nova vitória da direita em uma das maiores democracias da América Latina.
Repercussão nos Estados Unidos e no Reino Unido
O The New York Times afirmou que a disputa poderá produzir efeitos além das fronteiras brasileiras. Para o jornal, uma vitória do bolsonarismo seria um marco para a direita em ascensão na América Latina. O diário também relacionou o pleito à estratégia de Donald Trump na região: uma vitória de Flávio poderia ampliar a influência de Washington, enquanto uma vitória de Lula dificultaria os planos do presidente americano.
O jornal avaliou que os dois candidatos precisarão ampliar suas bases. Flávio deverá buscar eleitores de outros nomes da direita, enquanto Lula terá de tentar conquistar pessoas que não votaram ou anularam o voto no primeiro turno — quase 30 milhões, um recorde.
O Guardian classificou Flávio como “grande favorito” para a votação de 25 de outubro e destacou a tentativa de reunir os votos de candidatos de direita que ficaram fora da disputa. Entre eles estão Ronaldo Caiado (PSD), com 2,1%, e Renan Santos (Missão), com 2,2%. Para o jornal, o resultado prolonga o confronto entre bolsonarismo e lulismo.
Mercados e temas da campanha
A Reuters ressaltou que Flávio superou as previsões ao terminar a votação à frente de Lula. A agência informou que os mercados reagiram com valorização da moeda brasileira e das ações diante da perspectiva de uma eventual vitória do senador, identificado como candidato pró-mercado.
Entre as principais preocupações dos eleitores, a Reuters citou custo de vida, corrupção e segurança pública. A agência também afirmou que o próximo governo terá de lidar com uma dívida pública elevada e perspectivas de crescimento mais moderadas.
Sobre Donald Trump, a Reuters destacou que o presidente americano não declarou apoio formal a nenhum dos candidatos, embora tenha recebido Flávio na Casa Branca e feito elogios públicos ao senador. Aliados de Lula acusaram Washington de tentar interferir na eleição, mas o governo americano rejeitou a acusação.
O The Wall Street Journal descreveu o resultado como uma derrota significativa para Lula e afirmou que a direita ficou próxima de retomar o poder. O jornal também chamou atenção para vitórias de candidatos conservadores nas eleições para o Congresso e os governos estaduais, além de associar o avanço à insatisfação com a violência, os impostos, os gastos públicos e a condução da economia. A crescente influência política dos evangélicos também foi citada na análise.








