SÃO PAULO — Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) avançaram para o segundo turno da eleição presidencial de 2026 com propostas diferentes para o papel do Estado, a economia, a segurança pública e os direitos trabalhistas. Há convergências em áreas como tecnologia, agricultura, energia e saneamento básico.
Lula defende ampliar a atuação do governo, fortalecer políticas sociais, expandir direitos trabalhistas e manter o novo arcabouço fiscal. O programa prevê investimentos, política industrial, maior progressividade tributária, valorização real do salário mínimo, regulamentação do trabalho por aplicativos e o fim da escala 6x1, com jornada de 40 horas sem redução salarial.
Flávio propõe reduzir o tamanho do Estado, cortar gastos, diminuir impostos, fazer uma redução de ministérios, revisar a reforma tributária de 2023 e avançar em privatizações. Na área trabalhista, defende mais flexibilidade, contratos especiais para jovens e desempregados acima de 50 anos e a prevalência do negociado sobre o legislado.
Segurança e instituições
Na segurança, Lula prioriza o combate financeiro ao crime organizado, investimentos em inteligência, fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal e maior controle de armas e munições. Flávio defende o endurecimento penal, a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, cinco novos presídios de segurança máxima e um sistema nacional de reconhecimento facial com mais de 1 milhão de câmeras.
Flávio também promete anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e a Jair Bolsonaro. Lula defende a manutenção das punições. O candidato do PL propõe mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal, restrições a decisões monocráticas e o impeachment de Alexandre de Moraes. O programa de Lula não prevê mudanças no STF, embora o presidente tenha defendido mandatos para os ministros.
Na educação, Lula prioriza a rede pública, creches, ensino integral, o programa Pé-de-Meia e a expansão dos Institutos Federais. Flávio defende escolas cívico-militares, método fônico, vouchers quando não houver vagas públicas e conteúdos de economia digital e inteligência artificial.
Na saúde, os dois apoiam a digitalização, a telemedicina, a inteligência artificial e um prontuário eletrônico único. Lula enfatiza o fortalecimento do SUS, enquanto Flávio propõe integrar as redes pública e privada e contratar serviços privados ociosos para reduzir filas.
Meio ambiente e convergências
Lula quer zerar até 2030 o desmatamento líquido e combater o garimpo ilegal. Flávio estabelece como meta zerar o desmatamento ilegal até 2029, mas também defende mudanças nas regras ambientais e afirma que não demarcará terras indígenas.
Os dois programas apoiam a bioeconomia, políticas de remuneração para quem conserva o ambiente, a produção nacional de fertilizantes, o seguro rural, a expansão dos biocombustíveis, investimentos em inteligência artificial e data centers, além da ampliação das ferrovias e do saneamento básico.









