A eleição brasileira deste domingo, 4, é acompanhada no exterior com foco no papel de Donald Trump na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. A possibilidade de influência dos Estados Unidos esteve entre as preocupações da campanha, ao lado de crime, custo de vida e corrupção.
O temor aumentou depois que os Estados Unidos suspenderam os serviços consulares no Brasil na sexta-feira, 2. A Austrália também fechou a embaixada em Brasília após um alerta americano. O Departamento de Estado não relacionou publicamente a medida à votação.
Em entrevista coletiva, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou que não havia indicação concreta de interferência internacional. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse que a investigação aberta a partir de uma comunicação da representação americana não confirmou ameaça efetiva a embaixadas. Na sexta-feira, a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão no caso.
A campanha de Lula pediu ao TSE que a suspensão dos serviços fosse incluída na apuração sobre suposta interferência externa. As autoridades brasileiras, porém, não confirmaram o alerta. Para Kassio Nunes Marques, “Até o momento, nós não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional”.
Disputa e cenário regional
As análises estrangeiras apresentam a eleição como parte de uma guinada à direita na América do Sul. Uma vitória de Flávio Bolsonaro é associada à possibilidade de maior aproximação com Washington e de acordos sobre minerais raros. Lula, por outro lado, é descrito como defensor de uma postura de resistência aos Estados Unidos e de alerta sobre a soberania nacional.
A condenação de Jair Bolsonaro também aparece como elemento central. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos por participação em uma trama golpista após a derrota de 2022. Flávio é tratado como seu herdeiro político.
Pesquisas citadas no exterior apontavam Lula com 45% e Flávio Bolsonaro com 43%, em empate técnico. Entre as principais preocupações dos eleitores estavam violência (31%), corrupção (20%), economia (19%) e saúde (12%).
Votação no exterior
O TSE informou que 918.876 brasileiros estavam habilitados a votar em 186 cidades fora do país, exclusivamente para presidente e vice. Esses votos seriam somados à apuração nacional, com divulgação a partir das 17h.
Na Europa, Lula aparecia à frente na Alemanha, na Irlanda e nos Países Baixos, com mais de 70% dos votos. O Japão era apontado como principal reduto de Flávio Bolsonaro: em Nagóia, Tóquio e Hamamatsu, o senador somava 24.601 votos, contra 5.234 de Lula.







