O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participará do debate presidencial desta quinta-feira (1/10), organizado pela TV Globo. A informação foi confirmada por fontes e pela assessoria da emissora. A campanha de Lula ainda não se manifestou oficialmente.
A decisão repete a estratégia adotada em 2006, quando Lula também não participou de debates no primeiro turno. Na ocasião, ele tinha ampla vantagem nas pesquisas e venceu Geraldo Alckmin no segundo turno. Agora, a disputa é considerada apertada com Flávio Bolsonaro (PL), apontado como principal adversário de Lula.
Estratégia e riscos
Para o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a ausência pode evitar ataques coordenados e preservar Lula para um eventual segundo turno. “Ir ao debate seria se expor desnecessariamente ao ataque coordenado de vários políticos ao mesmo tempo”, afirmou.
Graziella Testa, doutora em Ciência Política pela USP e professora da Universidade Federal do Paraná, avaliou que a estratégia também considera a repercussão de trechos do debate nas redes sociais. Segundo ela, uma fala isolada poderia ser usada para construir uma narrativa sobre a idade do presidente.
Marco Antonio Teixeira, professor de Ciência Política da FGV São Paulo, disse que a decisão tem um custo. Para ele, embora a campanha possa calcular que Lula tenha mais a ganhar do que a perder, “não pega bem para o candidato faltar ao escrutínio público”. Teixeira também afirmou que a ausência será explorada pelos adversários.
Prando citou pesquisas segundo as quais 87% dos eleitores já teriam cristalizado o voto. Entre os eleitores de Lula, 92% disseram que não mudariam a escolha; entre os de Flávio Bolsonaro, o índice foi de 91%.
Outros candidatos
Foram convidados Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro e, posteriormente, Romeu Zema (Novo). A inclusão de Zema ocorreu após decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques.
Renan Santos (Missão) passou a ser mencionado como possível convidado. O partido entrou com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira (30/9) para participar do debate. A Globo ainda não informou se fará o convite.
Especialistas avaliam que a presença de Renan poderia aumentar os confrontos com Flávio Bolsonaro e mudar o tom do debate. Cila Schulman, CEO da Idea, também levantou a possibilidade de Flávio desistir caso Renan seja incluído.









