PORTADOWN — Uma marcha protestante terminou em confronto neste domingo (27), em Portadown, na Irlanda do Norte, depois que a organização recebeu autorização para passar por uma rua de um bairro católico. Cerca de 2 mil manifestantes se reuniram no local para tentar bloquear o trajeto.
A marcha de Drumcree é realizada todos os anos no último domingo do mês de setembro. Cerca de 35 integrantes da Ordem de Orange saem do centro de Portadown em direção à Igreja Anglicana de Drumcree, onde participam de um culto religioso.
A disputa está concentrada no caminho de volta, que os protestantes querem fazer pela Garvaghy Road. Os nacionalistas, maioria católica, consideram a passagem uma provocação e conseguiram, em 1998, o direito de impedir a marcha dentro do bairro. Desde então, a polícia bloqueia o acesso, enquanto os integrantes da Ordem de Orange entregam uma petição e deixam o local.
Autorização e reação
Pela primeira vez em quase 30 anos, a Parades Commission, órgão regulador de marchas na Irlanda do Norte, flexibilizou a restrição e autorizou o grupo a passar pela rua. Um recurso apresentado pelos nacionalistas foi rejeitado pela Alta Corte de Belfast em uma sessão noturna.
A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O'Neill, do partido nacionalista irlandês Sinn Féin, participou da manifestação no bairro católico.
Os líderes da Irlanda e do Reino Unido pediram calma. “Houve grandes avanços na Irlanda do Norte e não queremos ver retrocessos”, afirmou o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham. O primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, chamou de “incompreensível” e “errada” a decisão de autorizar a marcha.
Autoridades temem que a confusão se espalhe e provoque instabilidade e violência na Irlanda do Norte. A região integra o Reino Unido, enquanto a República da Irlanda é um país independente. Nacionalistas defendem a saída do território do Reino Unido; lealistas protestantes apoiam a permanência.








