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Milei anuncia sanções contra empresas ligadas a petróleo nas Malvinas
Foto: 9 de março de 2026 REUTERS/David 'Dee' Delgado
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Milei anuncia sanções contra empresas ligadas a petróleo nas Malvinas

Presidente argentino quer endurecer punições e ampliar recursos militares em meio à disputa de soberania com o Reino Unido.

O presidente argentino Javier Milei anunciou que enviará ao Congresso um projeto para aumentar as sanções contra empresas envolvidas na exploração de petróleo e em outras atividades que afetem recursos naturais nas Ilhas Malvinas. A medida recebeu apoio de argentinos e até de alguns adversários políticos, embora também tenha sido considerada insuficiente por opositores.

Em discurso televisionado na quinta-feira (3), Milei também propôs a criação de um conselho de segurança nacional para coordenar políticas de segurança aeroespacial e marítima. Ele prometeu ainda mais recursos para uma base naval na Terra do Fogo, província argentina mais ao sul e ponto de acesso às Malvinas e à Antártida. O governo não informou detalhes adicionais sobre o projeto de lei.

A Argentina reivindica a soberania sobre o arquipélago há quase dois séculos. O país perdeu para o Reino Unido a guerra pelas ilhas, em 1982. Como não administra o território, o governo argentino não consegue impedir diretamente as perfurações. Na sexta-feira (4), o Reino Unido afirmou que sua posição sobre as Malvinas era “inabalável”.

Em Buenos Aires, a contadora Mariana Hamicha, de 49 anos, afirmou que a postura mais firme indicava uma defesa dos interesses argentinos. Para ela, a oposição à exploração por empresas estrangeiras poderia estabelecer um limite.

O campo petrolífero Sea Lion, localizado ao norte das Malvinas, é operado pela Navitas Petroleum, que detém a participação majoritária. A Rockhopper Exploration tem 35% do projeto. As empresas disseram possuir licenças válidas e afirmaram não acreditar que as declarações de Milei afetariam a iniciativa. As ações das duas companhias caíram na sexta-feira (4).

Mudança de postura

Antes, Milei defendia a diplomacia em vez do confronto na questão das Malvinas. A pesquisadora Candela Mascetti, da Escola Superior de Guerra, avaliou que as declarações representaram uma mudança para um presidente frequentemente criticado por não dar atenção suficiente ao tema. “Não acho que ter uma base naval implique um chamado às armas”, disse.

O discurso ocorreu dias depois de Donald Trump sugerir que os Estados Unidos poderiam revisar a posição de neutralidade sobre a disputa. A declaração foi associada à frustração de Trump com o apoio limitado do Reino Unido às operações militares lideradas pelos Estados Unidos no Oriente Médio.

Milei deve concorrer à reeleição em 2027 e tem índice de aprovação de 36,8%, conforme pesquisa realizada em agosto pela Zuban Córdoba e Associados. Para Benjamin Gedan, do Stimson Center, as pesquisas e a possível mudança na posição dos Estados Unidos ajudam a explicar a linha mais dura adotada pelo presidente.

Veteranos da Guerra das Malvinas e integrantes da oposição de esquerda criticaram Milei por elogiar Margaret Thatcher, ex-primeira-ministra britânica cujo governo derrotou a Argentina no conflito. Ele também afirmou que esperava que os habitantes das ilhas “um dia decidissem votar em nós”.

Juan Grabois, líder de esquerda, apoiou a mudança de posição, mas Guillermo Carmona, que supervisionou a política argentina para as Malvinas no governo anterior, disse que as medidas eram positivas, porém insuficientes. Carmona defendeu que Milei pressione o governo israelense. Autoridades de Israel não responderam ao pedido de comentário sobre as sanções.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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