A disputa pelas Ilhas Malvinas voltou ao centro da política argentina em meio à possibilidade de uma mudança na posição dos Estados Unidos e ao avanço de projetos de exploração de petróleo na região. O presidente Javier Milei reforçou a reivindicação argentina sobre o arquipélago e anunciou medidas contra pessoas e empresas ligadas ao território.
Em discurso na quinta-feira, Milei afirmou que as ilhas pertencem por direito à Argentina. Ele sustentou que os britânicos invadiram e ocuparam o território em 1833. O governo britânico contesta essa versão e afirma que as ilhas estavam desabitadas quando foram reocupadas pelo Reino Unido.
O assentamento argentino havia sido expulso dois anos antes por uma ação dos Estados Unidos. Em dezembro de 1831, o navio de guerra USS Lexington destruiu um forte instalado no local, durante uma disputa sobre direitos de pesca e caça de focas.
Petróleo e sanções
A exploração do campo petrolífero de Sea Lion, na costa das Malvinas, deve começar dentro de dois anos. As empresas Navitas Petroleum, de Israel, e Rockhopper Exploration, do Reino Unido, estão envolvidas no projeto. Milei afirmou que a Argentina não pode permitir que as companhias se apropriem das reservas de petróleo sob o mar argentino.
Na manhã de sábado, o gabinete do presidente anunciou no X o início de um processo de sanções contra 45 pessoas e empresas. Os alvos não foram identificados, e ainda não está claro qual será o impacto das medidas.
A pressão também aumentou depois de Donald Trump dizer que estava reavaliando a posição dos Estados Unidos sobre as ilhas. Tradicionalmente, Washington manteve neutralidade, embora reconhecesse o domínio britânico. Em 1982, porém, o presidente Ronald Reagan ofereceu apoio material à primeira-ministra Margaret Thatcher durante a Guerra das Malvinas.
Trump também criticou o primeiro-ministro britânico Keir Starmer por não ter apoiado a guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Os habitantes das ilhas, que votaram quase unanimemente pela permanência como território ultramarino britânico em 2013, defendem a ligação com o Reino Unido.
A questão tem impacto na política interna argentina. Milei busca impulso antes da eleição presidencial do ano que vem e enfrenta críticas de sua ex-vice-presidente, Victoria Villarruel, que se apresenta como defensora mais firme da soberania nacional. O presidente argentino conta ainda com o apoio ideológico e pessoal de Trump, enquanto a relação entre Washington e Londres enfrenta novas tensões.









