CARACAS — Cerca de uma dezena de políticos opositores que viviam no exílio retornou à Venezuela neste ano, após a queda de Nicolás Maduro e a promulgação de uma lei de anistia pelo governo interino de Delcy Rodríguez.
O retorno mais recente foi o de Omar González, dirigente nacional do Vente Venezuela e integrante do círculo próximo de María Corina Machado. Ele voltou na semana passada, depois de quase três anos fora do país, e disse que sua chegada era a “antessala” do retorno de Machado.
A líder oposicionista deixou a Venezuela em dezembro de 2025 para receber o Prêmio Nobel da Paz em Oslo, na Noruega. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou na terça-feira (2) que Machado “tem todo o direito de entrar em seu país quando quiser retornar” e indicou que recebeu orientações para garantir a segurança dela.
Rubio também mencionou outros políticos que tiveram de deixar a Venezuela e defendeu que possam voltar e participar da vida política. A medida faz parte do plano de três fases dos Estados Unidos para uma transição democrática no país.
Richard Blanco, presidente do partido Alianza Bravo Pueblo, voltou no último dia 2 de junho, após sete anos no exílio. Ele havia pedido proteção à embaixada da Argentina em Caracas em maio de 2019, depois de perder a imunidade parlamentar e ser acusado de envolvimento em uma suposta tentativa de rebelião liderada por Juan Guaidó.
Guaidó havia se autoproclamado presidente interino em janeiro de 2019 e foi reconhecido por mais de 50 países. Ele deixou a Venezuela rumo aos Estados Unidos em 2023.
Retornos após a anistia
Juan Pablo García, dirigente nacional do Vente Venezuela, voltou há um mês, em 6 de agosto. Após perder a imunidade parlamentar em 2019, passou pela Colômbia e pela Espanha, onde permaneceu durante o exílio.
Lester Toledo, cofundador do Voluntad Popular, retornou em maio deste ano. Ele havia deixado a Venezuela em 2016, após ser acusado de atos de terrorismo durante protestos, acusações que rejeita. Ao voltar, afirmou que iria “se colocar à disposição da Justiça”.
Também retornaram Yon Goicoechea, em maio deste ano, depois de anos no exílio, e Carlos Ocariz, no mesmo mês, após um ano fora do país. Goicoechea passou a integrar o Voluntad Popular e declarou que “o momento de apostar na Venezuela é agora”. Ocariz é integrante do Primero Justicia e havia deixado a Venezuela em 2024.
A lei de anistia permitiu que milhares de pessoas acusadas em conflitos sociais e políticos entre 1999 e 2026 regularizassem a situação jurídica, retornassem do exílio ou deixassem a prisão. A medida atende a uma exigência do governo de Donald Trump: a libertação de presos políticos.
Entre outros opositores que voltaram estão Wilmer Azuaje, Marcos Velazco, Roberto Marrero, José Guerra e César Pérez Vivas. Marrero retornou em maio e recebeu a anistia em junho. Guerra também voltou em maio, após sete anos de exílio. Pérez Vivas retornou no início de junho, depois de um ano e oito meses fora do país.







