O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em um relatório sobre tráfico de drogas e afirmou que o país falhou no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho. O documento foi encaminhado ao Congresso americano e ampliou a tensão diplomática entre os dois governos.
A analista de política Clarissa Oliveira avaliou que o relatório colocou o Brasil em destaque entre países considerados uma ameaça ou um risco no combate ao narcotráfico. Para ela, o documento tem caráter político, e não técnico, ao adotar tratamento mais favorável a governos de direita e fazer críticas a administrações de esquerda.
Clarissa também relacionou a divulgação do relatório à proximidade de uma eleição. Segundo a analista, o governo Lula já considerava a possibilidade de movimentos de Donald Trump para influenciar o processo eleitoral brasileiro. “A gente está a poucos dias de uma eleição”, afirmou.
O documento também foi comparado ao tratamento dado à Colômbia. Enquanto o Brasil recebeu críticas, Trump avaliou positivamente o governo colombiano e disse que o país faz “um ótimo trabalho”.
Governo prepara resposta
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, afirmou que o governo brasileiro pretende rebater formalmente a avaliação dos Estados Unidos. Ele citou uma operação realizada na quarta-feira (16), com participação de 19 estados da federação, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e de polícias estaduais.
A ação terminou com 137 presos e bloqueio de mais de R$ 508 milhões. Para o ministro, os resultados contradizem as críticas feitas por Trump. “Essas ações contrariam totalmente essa fala do Donald Trump”, disse Wellington Lima ao analista de Segurança Pública Elijonas Maia.
O ministro afirmou ainda que o Brasil combate mais de 30 facções criminosas espalhadas pelo território nacional, além do PCC e do Comando Vermelho. Também declarou que a fala de Trump não estaria baseada no documento apresentado pelo governo americano e que o Brasil não apareceria oficialmente nessa lista.









