Hospitais e centros de atendimento de Ebola em Butembo, no leste do Congo, estão lotados com o avanço do surto em Kivu do Norte. Leitos destinados a casos suspeitos foram convertidos para pacientes confirmados, e unidades de trânsito também passaram a receber pessoas infectadas.
A província já contabilizou mais de 1.300 casos, com taxa de letalidade superior a 62%. Em Ituri, onde a transmissão começou a diminuir, o índice está em cerca de 45%. Kivu do Norte registrou 555 novos casos nos 21 dias anteriores a 12 de setembro, com crescimento mais rápido em Butembo.
A MSF afirma que a contenção é dificultada pela concentração da doença em áreas urbanas densamente povoadas e pelo baixo envolvimento da comunidade no começo da resposta. O receio e a desconfiança em relação aos centros de tratamento também fazem com que algumas pessoas adiem a busca por atendimento. Com isso, pacientes chegam em estado grave.
“Em Butembo, por exemplo, estamos falando de uma população de 2 milhões de pessoas”, afirmou a MSF, ao destacar que a epidemia começou em grandes centros urbanos. A organização também disse que a falta de participação comunitária desde o início contribuiu para a continuidade da transmissão.
Violência na região
O surto está concentrado no leste do Congo, área afetada por décadas de violência. O conflito dificulta o acesso às comunidades, limita o deslocamento de profissionais e suprimentos e atrapalha o rastreamento de contatos. Ataques contra hospitais e equipes de saúde continuam colocando em risco os trabalhadores envolvidos na resposta.
Em Kitatumba, uma mãe chamada Guylaine Kavira levou o filho ao centro depois que ele testou positivo. O menino se recuperou e recebeu alta. “Meu filho testou positivo para Ebola e nós o trouxemos para este hospital; agora, ele sai vitorioso”, disse Kavira ao deixar a unidade com ele.








