O temporal que atingiu o Rio Grande do Sul deixou quatro mortos, cinco feridos e uma pessoa desaparecida, segundo o balanço mais recente da Defesa Civil. Os danos foram registrados em 155 municípios e afetaram mais de 605 mil pessoas.
O pico do vendaval ocorreu na madrugada de segunda-feira (21/09), com rajadas acima de 100 km/h. Em Pelotas, um homem morreu ao bater com uma motocicleta em um fio elétrico que atravessava a rua. A cidade teve mais de 336 mil pessoas afetadas.
Em Caxias do Sul, uma enxurrada arrastou um veículo com uma criança de 4 anos, uma adolescente de 13 e uma mulher de 43 anos. O município contabiliza três mortes confirmadas. Um homem que limpava uma galeria pluvial quando foi levado pela água continua desaparecido, e o Corpo de Bombeiros mantém as buscas.
Ao todo, 786 pessoas estão desabrigadas e 4.559, desalojadas. O levantamento aponta 30 casas destruídas, 871 danificadas, 2.950 destelhadas e 883 alagadas. Também foram registrados danos em 54 escolas, 27 estabelecimentos de saúde e 127 prédios públicos ou privados.
Risco muda para enchentes
A meteorologista Estael Sias, da MetSul, afirmou que o risco principal deixou de ser o vento e passou a ser hidrológico e geológico. Chuva de 100 mm a 150 mm atingiu a Serra Gaúcha e os Campos de Cima da Serra, onde nascem rios que apresentam elevação rápida.
“A bacia do rio Taquari, o rio Caí já estão em rápida elevação, e também a bacia do rio dos Sinos”, disse Sias. Ela também pediu atenção das populações ribeirinhas aos comunicados das defesas civis diante do risco de inundação e enchentes.
A chuva deveria continuar entre terça-feira e o início de quarta-feira, aumentando a possibilidade de queda de barreiras e deslizamentos. O governador Eduardo Leite informou que foram registrados cerca de 200 mm nas cabeceiras dos rios da bacia Taquari-Antas. Projeções foram compartilhadas com prefeitos de Encantado, Estrela, Lajeado e Santa Tereza para orientar a retirada preventiva de famílias em áreas de risco.
Municípios mais afetados
Além de Pelotas, Santa Vitória do Palmar teve 30 mil pessoas afetadas e chegou a ficar sem energia elétrica. Capão do Leão registrou 27 mil pessoas atingidas e os maiores danos materiais: 6 casas destruídas, 20 danificadas e 700 postes ou trechos de fiação danificados.
Guaporé contabilizou 578 casas alagadas e 72 pessoas desalojadas. Em São Sebastião do Caí, foram 135 casas alagadas e 181 pessoas desabrigadas.
Eduardo Leite disse ter determinado o envio de telhas a famílias de baixa renda cujas casas foram destelhadas. Ele também acionou a distribuidora de energia para priorizar hospitais e estações de tratamento de água. Operadoras de telefonia foram chamadas para reparar torres e antenas derrubadas.
O alerta do Instituto Nacional de Meteorologia abrangia 699 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O aviso previa chuva superior a 60 mm por hora ou acima de 100 mm em um dia, ventos acima de 100 km/h e granizo. Para a região metropolitana de Porto Alegre e Caxias do Sul, havia previsão de ventos de até 120 km/h e chuva de até 100 mm por hora.
Sias afirmou que os modelos europeu e americano indicaram, desde a sexta-feira anterior, uma área extensa com ventos acima de 100 km/h. A meteorologista relacionou a sequência de eventos extremos ao El Niño, mas Josélia Pegorim, da Climatempo, ressaltou que a causa imediata de parte das chuvas de setembro foi a fase negativa da Oscilação Antártica.
A tragédia de maio de 2024 deixou 185 mortos e afetou mais de 2,4 milhões de pessoas em quase 480 municípios. Para Sias, ainda faltam estrutura humana, meteorologistas e hidrólogos dedicados ao monitoramento e à comunicação dos alertas.









