TÓQUIO — A capital do Japão registrou 35 dias consecutivos de chuva, a sequência mais longa desde o início dos registros, em 1886. O centro da cidade acumulou 629 mm de precipitação entre o começo de setembro e a segunda-feira desta semana — quase três vezes o volume habitual.
Especialistas atribuem a sequência a uma combinação entre as mudanças climáticas e o El Niño, fenômeno que aquece o Oceano Pacífico. A formação de uma frente prolongada de alta pressão contribuiu para manter as chuvas na região.
“As frentes chuvosas do outono estão durando mais do que o comum”, declarou Masayuki Kyoda, da Agência Meteorológica do Japão (JMA). A chuva perdeu força e virou garoa nesta quarta-feira, 30, mas novos episódios ainda podem ocorrer.
Impactos no Japão
A temporada de chuvas em Tóquio costuma ocorrer em junho. Neste ano, porém, precipitações frequentes foram registradas durante todo o verão e provocaram inundações severas na região. No começo deste mês, o tufão Dujuan causou alagamentos e deslizamentos de terra na província de Chiba.
As condições meteorológicas também afetaram a saúde da população, afirmou Hiromichi Ito, médico e responsável por uma clínica na cidade. Segundo ele, períodos prolongados de chuva, pressão atmosférica baixa e umidade elevada podem causar dores de cabeça, desmaios e cansaço extremo.
A JMA afirmou, em relatório recente, que o aquecimento global afeta o clima do Japão a longo prazo, inclusive com aumento da precipitação. Kyoda disse ser difícil estabelecer uma ligação direta entre as mudanças climáticas e a sequência de chuvas.
O recorde anterior era de 33 dias, entre 27 de junho e 29 de julho de 2019. A chuva prolongada também elevou o preço dos vegetais, especialmente das folhas verdes, após danos às plantações em regiões agrícolas próximas. Em um supermercado da capital, o valor de uma cabeça de alface mais que dobrou e chegou a quase R$ 15.







