A renda média dos trabalhadores de aplicativos no Brasil praticamente se igualou à dos demais empregados do setor privado em 2025. Quem atuava por meio de plataformas recebia R$ 3.147 por mês, contra R$ 3.148 entre os outros trabalhadores. A jornada, porém, era maior: 44,7 horas semanais, ante 39,3 horas.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no 3º trimestre de 2025. Por hora trabalhada, o rendimento médio dos plataformizados era de R$ 16,20, enquanto os demais trabalhadores recebiam R$ 18,40.
Em 2022, os trabalhadores de aplicativos tinham rendimento mensal médio de R$ 3.115, contra R$ 2.847 dos demais. De 2022 a 2025, a renda dos trabalhadores de apps teve pequena oscilação, enquanto a dos outros ocupados cresceu 10,6%.
Gustavo Geaquinto, analista do IBGE, afirmou que a estabilidade da renda dos plataformizados está relacionada, em parte, à ausência de ganho real entre motoristas de automóveis ou motocicletas por aplicativo. Essas categorias representam cerca de três quartos dos trabalhadores de plataformas.
A flexibilidade foi o principal motivo citado para trabalhar com aplicativos, mencionada por 26,8% das pessoas que tinham as plataformas como principal fonte de renda. A falta de outro trabalho apareceu em seguida, com 24,6%. Para 20,8%, o rendimento era maior do que em outras ocupações.
No 3º trimestre de 2025, ao menos 2 milhões de pessoas trabalhavam por meio de plataformas digitais. Desse total, 1,8 milhão tinham os aplicativos como trabalho único ou principal, número que representou crescimento de 36,8% em relação a 2022. Mais da metade, 55,3%, estava no Sudeste.
Os homens correspondiam a 84,4% dos trabalhadores de aplicativos. Entre os demais empregados do setor privado, a participação masculina era de 58,2%. Pessoas com ensino médio completo ou superior incompleto representavam 62,5% do total.
O transporte particular de passageiros reunia quase 1,2 milhão de trabalhadores, ou 58,9% do total. Os aplicativos de entrega eram usados por 585 mil pessoas. Ao todo, o setor de transporte, armazenagem e correios concentrava 75% dos trabalhadores de plataformas.
A pesquisa também apontou menor proteção previdenciária e maior informalidade entre os plataformizados. Em 2025, 34% contribuíam para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), contra 62,4% dos demais trabalhadores do setor privado. A informalidade atingia 72,1% dos trabalhadores de apps, ante 42,7% dos outros.
Entre os 1,8 milhão que tinham os aplicativos como principal fonte de renda, 62,7% trabalhavam exclusivamente por meio das plataformas. Dentro desse grupo, 701 mil utilizavam apenas um aplicativo. O levantamento do IBGE analisou fatores como remuneração, prazos, escolha de clientes e influência das plataformas sobre a jornada para medir a dependência dos trabalhadores.









