Donald Trump voltou a defender a possibilidade de mudança de regime no Irã enquanto a diplomacia entre Washington e Teerã permanece paralisada. Na terça-feira (1º), ele perguntou nas redes sociais quando o povo iraniano se levantaria contra os líderes do país.
A ideia havia sido apresentada por Trump no início da guerra, no final de fevereiro, após ser convencido pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu de que protestos surgiriam em Teerã. Avaliações de inteligência americanas, porém, indicavam que uma operação conjunta dos Estados Unidos e de Israel dificilmente provocaria uma mudança de regime.
Em junho, Trump afirmou que nunca havia se importado com a mudança de regime no Irã e disse que tentativas americanas de derrubar governos estrangeiros não funcionavam. Mesmo assim, pessoas familiarizadas com o assunto afirmaram que ele continuou questionando por que seus apelos não tinham provocado uma reação popular.
Conflito e pressão econômica
A retomada do discurso ocorreu depois de Estados Unidos e Irã trocarem ataques por três dias consecutivos. Na quarta-feira (2), Trump afirmou estar preparado para ordenar uma ofensiva ainda maior e disse que os combates provavelmente não durariam muito.
As conversas diplomáticas foram interrompidas no mês passado, quando Trump ordenou que seus enviados deixassem as discussões com o Irã. O tráfego pelo Estreito de Ormuz continua abaixo dos níveis anteriores à guerra, e o presidente declarou estar satisfeito com a situação. Ele escreveu: "Gosto da nossa posição agora", referindo-se ao controle quase total do estreito e ao enfraquecimento da economia iraniana.
A estratégia americana também passou a incluir pressão sobre as finanças de Teerã e ameaças de sanções contra os maiores parceiros comerciais do Irã. O Departamento do Tesouro ainda não aplicou as maiores penalidades anunciadas. Parte do cálculo, segundo autoridades, é provocar insatisfação entre iranianos atingidos pela piora das condições econômicas.
A inflação aumentou, os preços dos alimentos subiram e o rial perdeu valor. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu os problemas e afirmou que o país enfrenta uma guerra econômica, militar e de segurança em escala total.
Apesar da deterioração econômica, funcionários americanos disseram haver poucos indícios de que manifestantes voltarão às ruas para tentar derrubar o governo. As avaliações também apontaram que o regime não havia perdido o controle do poder meses após o início do conflito.
Os protestos no Irã foram reprimidos com violência, inclusive no início deste ano. Para Hamidreza Azizi, analista sênior do Irã no International Crisis Group, a liderança iraniana interpreta a pressão econômica como parte de uma estratégia americana mais ampla, que poderia incluir agitação interna e mudança de regime.
Questionado se os Estados Unidos poderiam armar dissidentes iranianos por meio da CIA, Trump não respondeu diretamente. Ele disse que não seria apropriado comentar. Na quarta-feira, ao falar sobre os iranianos, reconheceu: "Eles estão sendo baleados agora mesmo."








