NOVA DÉLHI — O presidente da China, Xi Jinping, criticou a guerra no Oriente Médio e as tarifas comerciais durante a cúpula do Brics, na Índia. Ele defendeu que os países do grupo rejeitem o protecionismo e ampliem a cooperação em inteligência artificial.
Xi afirmou que o conflito no Irã causou prejuízos graves às populações da região e não atende aos interesses comuns da comunidade internacional. Também disse que o Brics deve atuar para reduzir as tensões no Oriente Médio e em outras partes do mundo.
“A China está disposta a trabalhar com os demais membros do Brics para desempenhar o papel que lhe cabe na conquista da paz e da estabilidade no Oriente Médio e na região do Golfo”, declarou Xi Jinping.
O presidente chinês classificou o Brics como um grupo de liderança no Sul Global e um modelo de autonomia entre países em desenvolvimento. Ele também pediu que o bloco combata as “tarifas comerciais arbitrárias”. Embora não tenha citado diretamente os Estados Unidos, o discurso foi interpretado como uma crítica ao governo norte-americano.
O tom usado por Xi Jinping foi mais duro do que o comunicado final da cúpula, aprovado pelos países do bloco. O documento tratou a guerra no Oriente Médio de forma genérica para permitir um consenso entre os integrantes, entre eles Irã e Emirados Árabes Unidos, aliados dos Estados Unidos.
O anfitrião do encontro, Narendra Modi, voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Para ele, os grandes países em desenvolvimento, responsáveis por parte significativa do crescimento econômico atual, precisam ter mais voz nas decisões globais.
A cúpula marcou a primeira visita de Xi Jinping à Índia em sete anos. Depois da primeira reunião conjunta dos líderes do Brics, ele se encontrou com Modi em uma reunião bilateral e pediu mais colaboração entre China e Índia para fortalecer o bloco.
Os dois países são rivais regionais na Ásia, têm disputas fronteiriças e mantêm desconfiança estratégica. A participação de Xi e o encontro com Modi foram vistos como sinais de aproximação entre as duas nações.








