Adversários políticos do presidente Lula criticaram o momento da decisão de proibir bets e cassinos online por medida provisória, mas evitaram se posicionar diretamente contra o veto. A proximidade das eleições e a adesão da maioria da população à proposta dificultam uma reação frontal à medida.
Pesquisa Atlas Intel divulgada na mesma semana mostrou que 75% dos entrevistados apoiam a proibição total das apostas, incluindo as esportivas e os cassinos online. Diante desse cenário, os opositores passaram a concentrar as críticas na escolha do momento para a edição da medida.
Questionamentos sobre o calendário
Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos disseram que a medida provisória teria sido adotada por oportunismo eleitoral. A publicação ocorreu a apenas nove dias do primeiro turno.
Caiado afirmou que sempre foi contra as bets e que não usaria o assunto como instrumento eleitoral. Ao mesmo tempo, questionou a decisão do governo e o fato de a medida ter sido tomada agora, depois de uma atuação anterior no Congresso em favor da liberação dos cassinos.
Flávio Bolsonaro fez uma distinção entre as modalidades. Ele declarou apoio ao veto aos cassinos online e ao jogo do Tigrinho, mas defendeu a continuidade das apostas esportivas, sob o argumento de que elas se baseiam em resultados reais.
O senador também citou a possibilidade de reforçar mecanismos de controle, com restrição por faixa etária e proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família. Essa última medida já havia sido adotada pelo próprio governo.
A análise de Jussara Soares apontou que ainda é difícil medir o impacto da decisão no desempenho eleitoral. O Palácio do Planalto avalia que a medida pode produzir resultado positivo, apesar dos questionamentos das plataformas de apostas sobre insegurança jurídica.
A campanha adversária tem recuperado declarações anteriores em que o fim das empresas de bets e do jogo do Tigrinho já era cogitado. A estratégia busca apontar possíveis contradições no discurso do campo governista.








