A proibição das bets e das casas de apostas, anunciada pelo governo federal por medida provisória nesta sexta-feira (25), pode causar prejuízo superior a R$ 100 milhões ao Fluminense, afirmou o presidente do clube, Mattheus Montenegro.
O impacto inclui o patrocínio máster, contratos de placas de campo e estoques de camisas produzidas com seis meses de antecedência. Para Montenegro, a decisão desvaloriza os ativos dos clubes porque os patrocinadores ficam disponíveis ao mesmo tempo para todo o mercado.
"É uma medida que foi tomada do dia para a noite e o impacto é muito grande", declarou o dirigente.
Montenegro também citou estimativas de perdas de até R$ 430 milhões para o Flamengo e de R$ 2,5 bilhões em receitas para o futebol brasileiro no próximo ano. Ele afirmou ainda que o setor de bets arrecadou R$ 9 bilhões para o governo entre janeiro e agosto.
Possível recurso à Justiça
O presidente do Fluminense disse que há razões para contestar a medida no Poder Judiciário. Entre os argumentos, mencionou a ausência de um período de transição, que, na avaliação dele, viola a Constituição e as leis vigentes.
Montenegro questionou também a efetividade da proibição. Segundo ele, o fim das bets reguladas não elimina as apostas, porque o mercado ilegal continuaria disponível no ambiente digital. O dirigente afirmou que a medida provisória exige relevância e urgência, embora houvesse projetos de lei em discussão no Congresso.
"O argumento jurídico é o que não falta e, sem dúvida, os clubes vão socorrer ao Poder Judiciário", concluiu.
Patrocínio e lojas oficiais
O patrocinador máster do Fluminense havia enviado uma notificação prévia informando que rescindiria o contrato se a medida provisória fosse publicada. Após a publicação oficial, não houve nova comunicação, mas a intenção já estava indicada, segundo Montenegro.
O próximo jogo do clube está previsto para 8 de outubro. A medida estabelece que, a partir do dia 5 do mesmo mês, a exibição de marcas de bets não seria mais permitida.
O dirigente relatou ainda que os lojistas das mais de 30 lojas oficiais do Fluminense têm estoques de camisas com a marca do patrocinador e não poderão comercializá-las. Ele questionou quem vai ressarcir o clube pelos prejuízos.








