As bets transformaram o futebol no principal espaço visível de um problema social mais amplo: a transferência de renda de pessoas endividadas para plataformas de apostas. A atividade é associada a endividamento, ansiedade, perda de renda e desorganização familiar.
A redução desse dinheiro no esporte não precisa ser tratada como uma tragédia. Ela pode abrir espaço para que os clubes revejam sua gestão, suas estratégias de marca e a relação com as comunidades. A crise do futebol brasileiro, porém, não começou com as bets e não será resolvida apenas com a saída delas.
Dirigentes despreparados, estruturas políticas antigas, decisões de curto prazo e pouca visão estratégica são apontados como obstáculos. Nesse cenário, clubes fragilizados acabam vendendo propriedades comerciais a quem oferece retorno mais rápido, mesmo que isso comprometa o valor futuro dessas marcas.
Oportunidade para outros setores
A saída das bets pode abrir espaço para empresas de bens de consumo, serviços financeiros, tecnologia, energia e negócios regionais. A proposta é que essas marcas não se limitem a substituir um logotipo na camisa, mas construam vínculos com torcedores e comunidades.
Parcerias como Parmalat e Palmeiras, Petrobras/Lubrax e Flamengo, LG e São Paulo, Unimed e Fluminense e Kalunga e Corinthians são citadas como exemplos de relações que ultrapassaram a exposição imediata. A lógica é transformar patrocínio em confiança, preferência, reputação e memória.
Clubes pequenos e médios também podem se beneficiar. Empresas regionais têm a possibilidade de apoiar equipes de suas cidades e criar um vínculo mais profundo com o público local. A associação pode aparecer nos jogos, no comércio, nas conversas familiares e na memória da cidade.
O caso do Banco do Brasil com o vôlei é apresentado como referência. A marca ajudou a formar um ambiente esportivo reconhecível e a associar sua presença a seleções vencedoras, torcida e identidade da modalidade.
O esporte brasileiro, nessa visão, precisa de gestão, estratégia, governança e profissionalização das marcas. Também precisa respeitar as comunidades que sustentam os clubes. A saída das bets não elimina a fragilidade do futebol, mas cria uma oportunidade para que o esporte volte a ser associado a alegria, memória e pertencimento, em vez de funcionar apenas como espaço publicitário para quem paga mais.







