O governo Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o acordo do Escudo das Américas, que classifica facções criminosas como ameaças compartilhadas, pode abrir espaço para ingerência estrangeira em áreas estratégicas e até para operações unilaterais na região. Entre os grupos citados estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Diplomatas consideram a declaração muito grave. Interlocutores do presidente afirmam que a medida pode atingir setores como infraestrutura e minerais críticos. O acordo prevê sanções contra as organizações, incluindo congelamento de bens e restrições de imigração e de vistos para integrantes e pessoas associadas aos grupos.
O documento foi assinado na terça-feira (22) pelos Estados Unidos e outros 14 países latino-americanos alinhados ideologicamente com Donald Trump. A iniciativa partiu de um pedido feito pelo presidente dos Estados Unidos durante uma reunião com os estados-membros.
Os países também declararam a intenção de apresentar à Organização dos Estados Americanos (OEA) um pedido conjunto para discutir a criação de um Órgão de Consulta. A proposta é avaliar uma resolução que promova e facilite ações coletivas contra organizações classificadas como narcoterroristas.
Estratégia do governo
Neste momento, o governo Lula pretende acompanhar a tramitação do assunto na OEA. O Brasil é membro fundador da organização e tem direito a voto no pedido de reunião de consulta. O Palácio do Planalto, porém, avalia que a coalizão não deve produzir resultados práticos em breve.
A equipe do presidente também deve manter agendas bilaterais e destacar medidas de combate ao crime organizado transnacional, com cooperação entre países vizinhos e com os próprios Estados Unidos.
Auxiliares de Lula negam que o anúncio tenha sido inesperado. Eles afirmam que o Brasil já esperava uma movimentação do Escudo das Américas e, por isso, reforçou na Assembleia-Geral da ONU o discurso em defesa da região.
No pronunciamento, Lula criticou tentativas de influência dos Estados Unidos na América Latina e defendeu parceiros voltados ao desenvolvimento e à integração regional. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse. O presidente também afirmou: “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas.”








