A reta final da campanha presidencial foi marcada por ataques entre os favoritos, fake news e discussões sobre temas secundários, enquanto problemas considerados centrais para o país ficaram sem propostas detalhadas. Entre eles estão a violência, a corrupção, a crise fiscal, as filas na saúde, o desempenho da educação e o desgaste entre as instituições.
Os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro concentraram esforços em desgastar um ao outro. Lula explorou o pedido de 134 milhões de reais feito por Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse. O senador, por sua vez, apostou no antipetismo e em suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho mais velho do presidente.
Na segurança pública, o Brasil apareceu na 14ª posição entre os países com maior taxa de homicídios, com 21,26 registros por 100 000 habitantes, conforme estudo da Organização das Nações Unidas divulgado em dezembro de 2023. Em 2025, o país ficou na 7ª colocação entre os mais perigosos, segundo a Armed Conflict Location & Event Data Project. O Ministério da Justiça informa que existem mais de oitenta facções criminosas no país.
A corrupção também foi usada na disputa eleitoral. O Brasil marcou 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção e ficou na 107ª posição entre 182 nações analisadas. As investigações sobre os casos Master e INSS foram citadas pelos candidatos, mas, segundo Guilherme France, da Transparência Internacional, não surgiram propostas de reformas estruturais para enfrentar o problema.
Na área fiscal, o rombo do orçamento público federal deve chegar a 80,9 bilhões de reais em 2026, contra 43 bilhões de reais em 2024. A dívida, somados União, estados, municípios e INSS, superou 11 trilhões de reais e alcançou 82,9% do PIB em agosto.
Saúde e educação também ficaram sem respostas consideradas suficientes por especialistas. No SUS, pelo menos metade dos usuários espera mais de sessenta dias por parte dos procedimentos oncológicos. Na educação, 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não sabem ler e escrever. No Pisa, 43,8% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo de proficiência.
A campanha também passou ao largo da crise institucional. Pesquisa Datafolha apontou que 48% da população não confia no Supremo Tribunal Federal. O Congresso Nacional recebeu 61 bilhões de reais em emendas parlamentares só neste ano, em meio a conflitos frequentes com o Executivo.
Na política externa, o debate se concentrou na relação com Donald Trump e na China. Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington, afirmou que o país precisa organizar sua economia, sua política e sua indústria antes de formular uma política externa eficiente. O futuro presidente terá de lidar com esses desafios, que não foram detalhados pelos candidatos durante a campanha.








