A Controladoria-Geral da União (CGU) pediu que Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, esclareça se utilizou um guia durante uma viagem a Orlando, nos Estados Unidos. O órgão também quer saber quem teria pago pelo serviço, caso ele tenha sido contratado.
O pedido consta de um ofício de 19 de maio de 2026, elaborado em uma sindicância patrimonial que avalia se a evolução dos bens de Paulo Sérgio é compatível com a renda dele. O documento foi anexado pela defesa a um processo no Supremo Tribunal Federal e teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça na noite de quinta-feira (10).
A cobrança ocorre após mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo a investigação, Vorcaro procurou um contato para obter um guia para Paulo Sérgio e familiares durante uma viagem à Disney, em fevereiro de 2024. As mensagens não registram o preço do serviço nem mostram comprovante de pagamento.
Em decisão de 3 de março de 2026, Mendonça classificou a viagem como “outro forte indício de que Vorcaro corrompia Paulo Sérgio” e determinou medidas contra o servidor, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a suspensão da função pública.
Outros pontos da sindicância
A viagem é uma das 27 questões apresentadas pela CGU. O órgão também pediu documentos sobre obras em um imóvel de Paulo Sérgio em Guaxupé (MG), que totalizaram R$ 461.413,80 em 2020 e R$ 1.111.662,00 em 2021.
A comissão questiona ainda nove imóveis, a compra e a venda de sete veículos e a origem de recursos relacionados a movimentações financeiras “a descoberto” entre 2019 e 2024. Também solicitou comprovantes de despesas com passagens, hospedagem, pacotes turísticos, moeda estrangeira e acompanhantes.
A CGU pediu que Paulo Sérgio renuncie voluntariamente ao sigilo bancário de janeiro de 2019 a dezembro de 2025. A sindicância não aplica punições. Se as respostas forem consideradas insuficientes, o caso poderá avançar para um processo administrativo disciplinar, com comunicação ao Ministério Público Federal.
Em 24 de julho de 2026, Mendonça permitiu que a CGU recebesse elementos da investigação sobre Paulo Sérgio e Belline Santana, que chefiava o Departamento de Supervisão Bancária, para subsidiar sindicâncias patrimoniais e processos disciplinares.
Em petição de 21 de maio de 2026, a defesa afirmou que a falta de acesso a aparelhos apreendidos, ao e-mail funcional e ao Teams do Banco Central prejudicava a atuação perante a Polícia Federal e a CGU.








