SÃO PAULO — A crise interna no Supremo Tribunal Federal aproximou Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro no ambiente digital, embora os dois mantenham estratégias e atuações diferentes. A avaliação é de que a coordenação busca mobilizar a base bolsonarista durante o impasse na Corte.
Flávio tem adotado uma postura de confronto direto com o Supremo. Ele critica Alexandre de Moraes, pressiona o tribunal e chegou a discursar contra o ministro no Senado Federal. Também direcionou críticas a Cármen Lúcia, apontada como possível voto de minerva diante da divisão interna do STF.
Michelle, por outro lado, concentra sua atuação no público evangélico e em manifestações de apoio a André Mendonça. No fim de semana, ela publicou uma foto ao lado do ministro. A relação entre os dois é descrita como próxima, especialmente por causa do vínculo religioso. Mendonça teria sido sugerido por Michelle a Jair Bolsonaro para ocupar uma vaga na Corte.
“É uma união de forças para que Michelle e Flávio operem simultaneamente para tentar mobilizar a base bolsonarista na esteira dessa crise no Supremo Tribunal Federal”, afirmou Clarissa Oliveira.
Ausência no ato de 7 de setembro
Michelle não participou presencialmente do ato realizado na Avenida Paulista, em São Paulo. A justificativa apresentada nos bastidores é que as restrições impostas por Alexandre de Moraes à prisão domiciliar dificultariam a indicação de uma pessoa para auxiliar nos cuidados com a saúde de Jair Bolsonaro.
Moraes já havia negado um pedido para que Carlos Eduardo Torres, irmão de Michelle, permanecesse na residência. A decisão considerou que ele não tem formação na área da saúde. Depois, o ministro autorizou temporariamente a presença de Geovanna Ferreira Lima, irmã de Michelle, para a realização de exames médicos.
Ainda não houve resposta ao pedido mais recente, que prevê a presença ampliada de familiares e permitiria a participação de Michelle em compromissos de campanha ao lado de Flávio.
Dentro do PL, a avaliação é que Michelle tenta formar um núcleo político próprio no partido e na direita, mantendo com Flávio uma relação pragmática. Ela também teria um projeto eleitoral para 2030, com possibilidade de disputar a Presidência como cabeça de chapa ou vice de Tarcísio de Freitas.
A participação em um ato com críticas diretas a ministros do STF poderia, na avaliação de Gustavo Uribe, prejudicar compromissos assumidos anteriormente. Michelle teria se comprometido no gabinete de Alexandre de Moraes a garantir que Jair Bolsonaro não descumpriria medidas cautelares.








