BRASÍLIA — O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) foi alvo de busca e apreensão por suspeitas de tráfico de influência junto a tribunais superiores. A operação ocorreu com cinco dias de atraso, segundo o ministro Flávio Dino, por causa de dificuldades operacionais na Polícia Federal após o afastamento e posterior retorno do diretor-geral Andrei Rodrigues.
Cezinha foi alvo das buscas no último dia 14. A decisão de Dino contra o parlamentar havia sido assinada em 5 de setembro. O ministro afirmou que a corporação não tinha efetivo policial suficiente para cumprir a medida na data prevista. “No caso do deputado Cezinha Madureira, houve um atraso de cinco dias no cumprimento da meta exatamente por dificuldades operacionais”, disse.
As suspeitas contra o deputado surgiram a partir de informações encontradas no celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca e ex-assessora de confiança do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). O material indicaria que Cezinha teria usado a condição de congressista e o acesso a ministros do Supremo Tribunal Federal para passar a terceiros a impressão de que conseguiria direcionar decisões judiciais.
O caso é investigado por possíveis crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio e tráfico de influência.
Cezinha é representante da bancada evangélica na Câmara e participou das articulações para a indicação de André Mendonça ao STF durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado também atuava para viabilizar a indicação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, a outra vaga na Corte.
Críticas entre ministros
O afastamento de Andrei Rodrigues foi determinado por Mendonça e depois revertido por Dino. As suspeitas eram de que a Polícia Federal teria monitorado clandestinamente Mendonça e elaborado relatórios sem valor probatório para sugerir que o ministro tomava decisões com o objetivo de favorecer uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O episódio ampliou as críticas de Gilmar Mendes a André Mendonça durante a sessão plenária de terça-feira, 15. O decano do STF afirmou que retirar o comando da Polícia Federal seria uma medida incompatível com a estrutura hierárquica de uma corporação armada.








